A simplicidade de Marilia
Postado em: 18.06.2013 | converseHá quem pinte com tinta, com o dedo, com o pincel. E há quem decida transformar tudo em sua volta em arte. Marilia Bianchini é uma dessas pessoas. A artista não trilhou o caminho comum: passou pela Engenharia Química, por um diploma em Hotelaria e outro em Publicidade e Propaganda para perceber que “queria ser artista”, como ela mesma define. Da Publicidade, ficou o interesse pela fotografia, e dos cliques tirou o seu seu ganha-pão durante um tempo. E da bananeira de casa, fez a matéria prima do trabalho que hoje está exposto nas galerias do Santander Cultural, em Porto Alegre, com Elogio da Transitoriedade.
Imprimindo imagens em papéis feitos de fibra de bananeira, de paina e de filtro de café reciclado, ela buscou a quebra da monotonia que resultou em um trabalho único. Se apaixonou pela arte, se inspirou em grandes nomes e provou que não existe empecilho que possa parar gente que nem ela: gente que faz acontecer.
Como surgiu o seu interesse pela arte? Qual é a sua formação?
Mesmo tendo uma família interessada em arte (inclusive tenho uma tia que é artista), e tendo desde cedo incentivo e interesse próprio pela arte, demorei muito para “querer ser artista”. E isso só foi acontecer depois de ter cursado um semestre de Engenharia Química, ter me formado em Hotelaria e em Publicidade e Propaganda – essa graduação eu já tinha ido fazer por causa da fotografia. Parecia mais certo ser fotógrafa publicitária do que artista (…) com o tempo, comecei a perder o prazer de fotografar e estava conformada em ser funcionária pública de qualquer instituição que me garantisse o sustento, então resolvi fazer mais um vestibular e entrar no Instituto de Artes. A ideia era voltar a ter contato com algo que eu gostava (aquela fotografia “sem utilidade”), mas como um passatempo.
Quais são as suas influências?
Além de Mário Bitt Monteiro e Flávio Gonçalves [seus professores], posso dizer que outros professores como Rodrigo Núnez e Alexandre Santos também foram grandes influências na minha formação. Em relação a artistas, os trabalhos com fotografia de David Hockney e as máquinas de projeção de Peter Fisher (não é muito conhecido e vale ver! http://www.projektionsmaschine.ch). Mas também textos de artistas como de Joseh Buys e de Hundertwasser.
Em “Elogio da Transitoriedade”, você usa basicamente impressão em fibra de bananeira e de algodão. Você sempre trabalha com este tipo de material ou a escolha faz parte do conceito da exposição?
Eu queria um suporte para imprimir fotografias que fosse delicado, frágil e não homogêneo, porém não encontrei no mercado nada parecido com isso. Decidi, então, fazer meu próprio papel e percebi que fabricá-lo desde o início me permitiria interferir em todas etapas do processo de transformação de um vegetal em polpa e dessa em folha de papel e com isso eu poderia ampliar as possibilidade de resultados. Além disso, o processo permitiria também a utilização de fibras como de bananeira, paina e algodão que me dariam resultados bem diferentes dos papéis que compramos por aí.
– da série TempoSobreTempo , 2010″]
E quais são as outras técnicas que você usa? Tem alguma preferida?
Gosto de muitas coisas… desenho, cerâmica, gravura (xilo, metal, stencil), crochet, costura. Tenho muita vontade de fazer algumas coisas em madeira e ando pensando em algumas coisas em pintura e vídeo. Mas nem tudo que faço considero trabalho. Muitas coisas ficam no caminho e servem como exercícios e experimentações que podem voltar mais tarde, transformadas ou não, ou serem simplesmente esquecidas.














































