A simplicidade de Marilia

Há quem pinte com tinta, com o dedo, com o pincel. E há quem decida transformar tudo em sua volta em arte. Marilia Bianchini é uma dessas pessoas. A artista não trilhou o caminho comum: passou pela Engenharia Química, por um diploma em Hotelaria e outro em Publicidade e Propaganda para perceber que “queria ser artista”, como ela mesma define. Da Publicidade, ficou o interesse pela fotografia, e dos cliques tirou o seu  seu ganha-pão durante um tempo. E da bananeira de casa, fez a matéria prima do trabalho que hoje está exposto nas galerias do Santander Cultural, em Porto Alegre, com Elogio da Transitoriedade.

Imprimindo imagens em papéis feitos de fibra de bananeira, de paina e de filtro de café reciclado, ela buscou a quebra da monotonia que resultou em um trabalho único. Se apaixonou pela arte, se inspirou em grandes nomes e provou que não existe empecilho que possa parar gente que nem ela: gente que faz acontecer.

Como surgiu o seu interesse pela arte? Qual é a sua formação?

Mesmo tendo uma família interessada em arte (inclusive tenho uma tia que é artista), e tendo desde cedo incentivo e interesse próprio pela arte, demorei muito para “querer ser artista”. E isso só foi acontecer depois de ter cursado um semestre de Engenharia Química, ter me formado em Hotelaria e em Publicidade e Propaganda – essa graduação eu já tinha ido fazer por causa da fotografia. Parecia mais certo ser fotógrafa publicitária do que artista (…) com o tempo, comecei a perder o prazer de fotografar e estava conformada em ser funcionária pública de qualquer instituição que me garantisse o sustento, então resolvi fazer mais um vestibular e entrar no Instituto de Artes. A ideia era voltar a ter contato com algo que eu gostava (aquela fotografia “sem utilidade”), mas como um passatempo.

Sem título, 2011

Quais são as suas influências?

Além de Mário Bitt Monteiro e Flávio Gonçalves [seus professores], posso dizer que outros professores como Rodrigo Núnez e Alexandre Santos também foram grandes influências na minha formação.  Em relação a artistas, os trabalhos com fotografia de David Hockney e as máquinas de projeção de Peter Fisher (não é muito conhecido e vale ver! http://www.projektionsmaschine.ch).  Mas também textos de artistas como de Joseh Buys e de Hundertwasser.

Em “Elogio da Transitoriedade”, você usa basicamente impressão em fibra de bananeira e de algodão. Você sempre trabalha com este tipo de material ou a escolha faz parte do conceito da exposição?

Eu queria um suporte para imprimir fotografias que fosse delicado, frágil e não homogêneo, porém não encontrei no mercado nada parecido com isso. Decidi, então, fazer meu próprio papel e percebi que fabricá-lo desde o início me permitiria interferir em todas etapas do processo de transformação de um vegetal em polpa e dessa em folha de papel e com isso eu poderia ampliar as possibilidade de resultados. Além disso, o processo permitiria também a utilização de fibras como de bananeira, paina e algodão que me dariam resultados bem diferentes dos papéis que compramos por aí.

– da série TempoSobreTempo , 2010″] 

E quais são as outras técnicas que você usa? Tem alguma preferida?

Gosto de muitas coisas… desenho, cerâmica, gravura (xilo, metal, stencil), crochet, costura. Tenho muita vontade de fazer algumas coisas em madeira e ando pensando em algumas coisas em pintura e vídeo. Mas nem tudo que faço considero trabalho. Muitas coisas ficam no caminho e servem como exercícios e experimentações que podem voltar mais tarde, transformadas ou não, ou serem simplesmente esquecidas.

Converse People | Lalai

 

Lalai é o tipo da pessoa que tem o trabalho dos sonhos: durante anos foi produtora, conheceu muita gente legal, e – com o perdão da rima – é quase uma “viajante profissional”. Hoje, ela tem a sua própria agência, a Remix Social Ideas, que é focada em estratégia em mídias sociais, conteúdo e RP, e está de casamento marcado para agosto com o seu amor sueco Ola Persson.

 

Juntos, eles já viajaram por diversos locais do mundo curtindo festivais como o Sónar gringo e brasileiro, e o SXSW, no Texas, onde ela teve a oportunidade de conhecer o grande ídolo Dave Grohl. Os dois também possuem juntos uma coluna na Revista NOIZE, onde a cada trimestre mostram duas bandas que você não conhece, mas deveria. Ah, além disso a moça também é idealizadora do doc We Music, que discute o impacto do mundo digital na música.

 

Ufa. Quer mais? Então chega aqui e vem dar uma olhada no papo que levamos com ela.

Você é quase uma “viajante profissional”. Como esse hobby influencia no teu trabalho?  (Risos) As pessoas acham que eu viajo mais do que eu viajo de fato. Isso tem um pouco a ver com o fato do Ola ser sueco, o que faz eu acompanha-lo quando posso nas visitas à família. Adoraria de fato ser viajante profissional, mas na verdade não sou. Buscar referências, analisar comportamento e tendências pode trazer um diferencial ao meu trabalho. Tenho algumas metas, como ir a um festival internacional de música pelo menos uma vez por ano e um evento relacionado à minha área profissional. Em 2012 consegui ir ao SXSW e ao Festival de Cannes. Já nesse, como vou casar, acabei não indo a nenhum.  

Lalai e Ola, seu amor sueco

Qual é o seu festival preferido? Tem algum que você não perde nunca?

Em São Paulo eu não perco nenhum. Confesso que um dos festivais que mais gosto é o Sónar e fiquei inconsolável com o cancelamento da edição brasileira. Se eu pudesse, eu não perderia nunca o SXSW, mas esse ano tive que abrir mão. O próximo festival que vou é o Way Out West, que acontece na Suécia em agosto, logo após meu casamento.

O seu trabalho envolve muito estar sempre ligada em bandas novas e tudo que há de novo acontecendo por aí. Mesmo assim, acredito que como uma pessoa que curte muito música, você tenha muitos clássicos que estão na tua lista de preferidos. Quais são eles?

Eu amo música e estou sempre conectada ao meu Spotify ou Soundcloud, que atualmente são as minhas duas plataformas de pesquisa, especialmente o Spotify que hoje agrega outras plataformas e/ou sites que faziam parte da minha ronda diária como: Hype Machine, The Guardian, Pitchfork e alguns selos que gosto. A vida para pesquisar música nunca foi tão fácil.

Lalai e Grohl no SXSW de 2012. Foco no sorriso.

Como funciona a “curadoria” das bandas que você e o Ola selecionam para a coluna de vocês na NOIZE? É uma zona! (risos) O problema é que a gente ouve coisas demais e temos que analisar se a banda tem chances de decolar ou não. Acho que o nosso faro, em especial o do Ola, é bom.

Você tem um exemplo para citar? Percebi que mais de 50% artistas que escrevemos a respeito, estouraram – nem todos no Brasil, como a Katy B, que lá fora dominou as paradas de sucesso e aqui quase passou despercebida. Alguns tinham apenas uma música quando decidimos falar deles, o que pode ser arriscado, mas às vezes a primeira produção é tão foda, que não conseguimos passar batido, mas claro que sempre tentamos descobrir a história do artista, porque ela revela muito sobre ele. É muito legal acompanhar esse crescimento de alguém que acabou sendo também uma aposta nossa, afinal são tantas bandas novas que conhecemos todos os dias, que nem sempre é fácil escolher sobre quem falar.

E como vocês dois chegam a um consenso? Afinal, provavelmente nem sempre o gosto de um é igual ao do outro… Um acordo que fazemos é que sempre os dois tem que curtir o artista mesmo nós dois tendo estilos um pouco diferentes. Cada um faz sua lista, mostra pro outro, ouvimos juntos e aí decidimos se entra pra coluna ou não.

 

Para esse trabalho na revista provavelmente existe um estudo quase que – se não – diário para ficar sempre de olho no que anda rolando por aí. Quais são as suas fontes de informação? Eu estou sempre conectada a grupos em Facebooks relacionados à música, estou no mailing de quase todos os selos indies (e alguns grandes – essa é a vantagem de ir credenciada a festivais grandes lá fora), compro revistas, assino alguns sites mais restrito de músicas e ainda tem a publicação dos amigos DJs, produtores, artistas que sempre dão ótimas dicas também.

 

Qual artista é a sua aposta atualmente? As minhas grandes apostas do início do ano passado foram Daughter e Michael Kiwanuka, que acabaram virando, mesmo ainda não sendo tão grandes. Para esse ano, por incrível que pareça, eu fiquei sem uma aposta. O Ola vota no Asaf Avidan, que já está ficando bem conhecido. Eu estou ouvindo muito Kurt Vile, Mikal Cronin, Ghostpoet (estou apaixonada por ele – aguarde que o mundo vai ouvir muito sobre ele) e The Jar Family, que de alguma forma me deixa nostálgica, talvez pelo mood setentista.

 

Há alguns anos, o Brasil não era um nome expoente no circuito de festivais e grandes shows. Hoje já temos nomes como o Lolla, e grandes produtores começaram a ver o nosso país como um bom consumidor deste tipo de cultura. Você acredita que somos – ou que temos potencial para sermos – um grande nome no circuito da música? Geografica e culturalmente falando.  Já somos, né? O problema é que trazer um artista para o Brasil, em especial mainstream, virou um grande leilão. Já faz um bom tempo que tocar por aqui é um bom negócio. Eu acho fantástico, pois comecei a frequentar shows em 1989 (meu primeiro show foi o do Metallica, na turnê …And Justice for All) e era uma festa quando alguém anunciando que tocaria por aqui. Tínhamos alguns festivais como Hollywood Rock, Rock’n Rio, Close Up Planet e uns shows isolados, mas tudo era tão difícil. De repente o mercado abriu, a economia cresceu e entramos no foco do entretenimento. Acho isso incrível, pena que o custo seja tão alto para bancar qualquer show aqui. Como já fiz alguns shows pequenos e médios, eu sei quanto é difícil bancar shows aqui. Todo mundo reclama dos preços, mas infelizmente nem sempre eles se pagam. Ou você tem uma grande marca por trás ou você vai ter que colocar os preços nas alturas.

 

Quando falamos de cultura, muita gente deixa de fora a música. Acabamos relacionando sempre a palavra aos livros e filmes. Pra você, qual é a importância da música na cultura local e mundial?  Música é também uma manifestação do nosso tempo e é uma arte. É reflexo, seja pro bem ou pro mal. Admiro muito quem acredita e larga tudo para viver de música, especialmente num país como o Brasil. É aquela história velha em que você fala “eu tenho uma banda” e  outro pergunta “tá, mas você trabalha com o quê?”. Tiro meu chapéu pra um monte de gente daqui: Thiago Pethit, Boss in Drama, Bonde do Rolê, Madrid, Tiê, Sabonetes, além da galera da música eletrônica, que talvez tenha (por aqui) mais dificuldade conquistar esse lugar no universo da “cultura”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rebel, Rebel

Ele veio do interior do Rio Grande do Sul, lugar de onde o seu nome de guerra pode ser explicado: cusco, em bom gauchês, quer dizer cachorro. Já o Rebel… bom, aí você precisa conhecer a sua arte.

Cusco, ou melhor, Alexandre Araujo Cravo, é um artista gaúcho que tem no skate e na música a sua raiz. A sua história teve início aos 15 anos, quando apaixonado pelas rodas, começou a customizar o seu skate. O resultado foi além e começou a refletir nos trajes: “Andava todo customizado, era muito legal! Depois aprendi serigrafia e fizemos a primeira Skate Shop de Rio Grande [sua cidade natal] na garagem de um amigo, se chamava SKTZONE”, revela.

O seu trabalho é marcado pela grande mistura de técnicas: do desenho ao dedo, tudo vira arte.

Quais são as suas influências e inspirações? “O dia a dia, a música e a minha fé”, responde, sem hesitar. Além disso, Cusco se diz muito inspirado quando rola uma interação com o público, como aconteceu quando ele trampou na Cow Parade, em plena Avenida Paulista. Segundo o cara, essa troca sempre acaba influenciando no resultado final da arte.


Se pudesse fazer a sua arte em qualquer lugar do mundo, Miami e Tokyo seriam as primeiras opções. Apesar de ainda não ter mostrado o seu trabalho fora do Brasil, Cusco já vendeu obras para países como Estados Unidos, Argentina, Espanha e Japão.

Keep Strong, Cusco!

 

Mini coleções: Converse monochrome

Além de todos os modelos coloridos, floridos, listrados, xadrezes, com animal print e com outras tantas estampas e misturas de cores que a Converse tem, existem também aqueles que são inteiramente de uma cor só. Os monocromáticos.

A tendência surgiu no finalzinho dos anos 60, junto com o movimento punk, e invadiu o guarda-roupa dos jovens da época. Agora, ela volta com tudo, e tomou conta também dos nossos modelos.

Eles existem em várias cores e modelos de todas as linhas, para você escolher o que tem mais a ver com seu estilo.

Para ver todos, é só colar no site.

Converse Auckland Racer + Size?

Sabia que a prática de se correr em baixa velocidade, por longas distâncias, só ganhou um nome formal em 1962? Pois é, embora a galera corresse assim desde o século 17, foi apenas nessa data que alguém resolveu formatar a atividade de maneira a transformá-la em um exercício físico reconhecido e organizado. Assim nasceu o JOGGING, criação do atleta neo-zelandês Arthur Lydiard.

O esporte começou a pegar no mundo todo e a Converse resolveu criar um modelo especial para a prática do jogging, batizado de Auckland Racer – em referência ao país de origem de Lydiard. E ele segue em destaque até hoje.

 Agora, a Converse se uniu à rede britânica Size? para lançar novos modelos, com novas cores que resgatam os tempos iniciais da corrida esportiva.

Os modelos brasileiros você pode encontrar e escolher o seu clicando no link da imagem!