O inverno tá chegando, o friozinho aumentando, e pra muitos rola aquela viagem estilo acampamento. Aí a galera se reúne, toma umas e outras (na beira da praia ou até na frente da lareira mesmo), alguém tem o violão, TOCA RAUL todo desafinado, e já viu, né?
História repetida, sempre acontece em um momento ou outro na vida. Mas o caso é que SEMPRE tem aquele carinha que nunca aprendeu os acordes e fica meio de canto, isolado, com ciúmes que não consegue pegar as gatinhas. Essa mixtape então é pra você, que não sabe tocar nem pedrinha n’água. E tem música pra tudo quanto é gosto, que pra é pra fazer a fita com geral. Grava num CD, leva teu rádio junto, e manda ver no play.
diversão. O título assim todo em minúsculas e com um pontinho no final, esse é o nome da banda que tomou conta dos Estados Unidos no últimos meses.
Já com o segundo disco nas costas, lançado em fevereiro, o trio americano fun. atingiu com o hit “We are Young” o n˚1 da parada Billboard, feito que nenhuma outra banda de rock conseguiu nos últimos cinco anos – a última tinha sido o Coldplay.
A música, que tem participação de Janelle Monáe, há pouco também bateu o recorde de downloads, com pelo menos 300 mil em seis semanas como #1. E
com o sucesso, só dá a música e a banda em todo lugar, em trilha de seriado, commercial no intervalo do Superbowl, e até num video promocial da Apple, em
pleno Grand Central Terminal de New York.
Um dos casos mais clássicos desde que a gente passa a ouvir música em inglês ainda moleque é cantar com o famoso “embromation”. Aquele modo de qualquer jeito, falando qualquer coisa que pareça a letra. Ainda não sacou?
Atire a primeira pedra quem nuca tascou um “xurastei ou xuraigou” naquela do The Clash que você deve saber qual. Nos anos 90 algumas revistas de cifras vinham com letras escritas como deviam ser pronunciadas. Até em português rola aquela escorregadela, comonas já célebre “entrei de caiaque no navio”, dos Paralamas. Tem até esse blog especializado, pra você passar o dia se deliciando.
Mas sem mais delongas, nossa mixtape de hoje é uma ode a enrolação, ao cantar avacalhado sem medo de errar, no puro embromation. IARNUOU!
Rock’n'Beats invadindo o blog da Converse para falar do que a gente sabe que você curte: música boa e conhecer bandas novas.
Em episódios infelizmente incomuns no decorrer dos anos, surgem algumas bandas que parecem sintetizar todo o espírito de uma cena musical, ignorando barreiras geográficas ou idiomáticas, em um só pacote. Foi em um desses episódios que surgiu, no coração do centro-oeste brasileiro – conhecido pela exportação de duplas sertanejas de sucesso, mas também por grandes nomes como Black Drawing Chalks, Banda Uó e o Hellbenders – uma pequena grande banda que poderia ser facilmente o resumo de algumas horas de “shuffle” na sua biblioteca musical se você é um fã do tal do “indie” nos anos ’00.
A Cambriana recebe seu nome de uma era biológica marcada pela diversidade, e parece incorporar bastante esse título: na sua mistura, se encontram os DNAs musicais de grupos folk como Fleet Foxes, Grizzly Bear e My Morning Jacket e artistas que sabem utilizar o “synth-pop” com classe e equilíbrio, como Phoenix, The Whitest Boy Alive e Jamie Woon. O álbum de estreia do grupo, House of Tolerance, pode até ser marcado por um som sutil e quase melancólico, mas não se engane pelo tom relaxante e nada gritado: a Cambriana já fez muito barulho nas redes sociais, chegando até mesmo a receber elogios de sites norte-americanos.
Quem são: Luis Calil, Wanderson Meireles, Wassily Brasil, Pedro Falcão, Rafael Morihisa, Israel Santiago e Heloísa Cassimiro.
Por que curtir?: Reúne tudo aquilo que tem povoado os seus fones de ouvido em uma só banda que age localmente, mas pensa globalmente.
Para fãs de: Destroyer, The Postal Service, Foals (fase Total Life Forever)
Quer saber mais? Confira esse bate bola rápido que fizemos com eles:
Como a banda começou a caminhada?
Começou com um punhado de covers de indie rock que eu (Luis), o Rafael e o Israel decidimos fazer por diversão. Descobrimos que ficar tocando Radiohead, The National e Grizzly Bear só é divertido até certo ponto, então acabamos parando tudo e decidindo só recomeçar quando tivéssemos nosso próprio material. (Agora eu sinto falta de tocar covers. Coisas da vida.)
A Cambriana segue as pegadas de quais bandas?
Acho que a graça do nosso disco é que nós seguimos várias pegadas ao mesmo tempo, de forma que seria complicado tentar encontrar uma influência predominante. Mas esse elemento de diversidade estilística em si foi inspirado no “In Rainbows” do Radiohead. A forma como eles construíram esse disco, reunindo faixas de vários estilos e climas (pulando de “15 Step” pra “Bodysnatchers” pra “Nude”, por exemplo) foi meio que um modelo pra banda no “House of Tolerance”.
O que faz vocês colocarem seus “dancing shoes”?
Rafael: “Polish Girl”, Neon Indian + álcool.
Luis: “Alu Jon Jonki Jon”, Fela Kuti + álcool.
Wassily: “Come As You Are”, Nirvana + álcool.
Israel: Não dança. Mas bebe.
Quais serão os próximos passos da Cambriana?
Vamos tentar tocar no país inteiro. Já temos algumas datas planejadas pra Minas, Brasília e São Paulo. E lá pelo meio do ano queremos lançar mais músicas, que estão atualmente sendo compostas e gravadas (e jogadas fora, e ressuscitadas, e mutiladas, e regravadas). E queremos ouvir menos indie rock. Acho que já deu, né?