Quem aqui nunca sonhou em acompanhar uma banda de rock durante uma turnê? Bom, eu fiz essa loucura, graças à Converse. O Oasis esteve aqui para quatro shows, você sabe. E eu, lógico, fiz a proeza em acompanhar, para registrar tudo para o Oasis News e para o Conversation.

Minha saga começa antes mesmo de 7 de maio, data do primeiro show da banda, no Rio de Janeiro. Saca só minha situação. Eu moro numa cidade no interior de Minas, com nome peculiar: Formiga. Sair daqui pro Rio já significa “vem uma maratona por aí, se prepare”. Aqui não tem linha direta pro Rio. Nem vermelha, nem amarela, nem preto-e-branca. Pois bem. Era madrugada do dia 6 e eu estava pegando um ônibus, famoso busão como dizemos em Minas, para uma cidade próxima daqui e, daí sim, ir pro Rio. Chegando lá pela manhã de quarta-feira, frio. Isso. Frio em pleno Rio!!! Só acontece comigo esse tipo de coisa. Mas tudo bem. A quarta-feira foi um day-off e, aos poucos, o sol foi aparecendo. Houve uma festa esquenta em um pub em Ipanema, com duas bandas locais, que serviu para reunir muitos fãs do Oasis de lá e de outras cidades. Até alguns membros da produção do Oasis compareceram ao evento. Enquanto isso, alguns conhecidos meus ficaram de plantão no Copacabana Palace, à espera do Oasis. O máximo que conseguiram ver, a princípio, foram umas garotas esperando o Hugh Jackman (que também estava na cidade) e a Hebe!

Bom, depois dessa intro torta, melhor falar dos shows. A convite da Sony Music, gravadora do Oasis, assisti à passagem de som da banda. Pra quem não sabe, passagem de som do Oasis tem sido quase tão atrativa quanto o show, nos dias atuais. O Oasis, desde o início da turnê, em mais ou menos 90 shows, trocou o setlist umas três, quatro vezes. É a mesma estrutura de músicas sempre. E na mesma ordem! O bom da passagem de som é que, como o Liam nunca participa, a banda ensaia muitas canções que não fazem parte do show. Sabe-se lá pra que também, já que nunca mudam.
Mas tudo bem. Às 17h em ponto, estava eu lá, de camarote no Citibank Hall e ali começou a passagem de som da banda. “To Be Where There’s Life” e “Waiting for the Rapture”, as duas primeiras do setlist, são as únicas que eles repetem no show. Após isso, começou um verdadeiro desfile de clássicos, como “My Big Mouth”, “Live Forever”, “Roll With It” e “Gas Panic!”. Dessas aí, o Oasis tocou apenas “My Big Mouth” nesta turnê, em duas oportunidades. “Roll With It” e “Gas Panic!”, por exemplo, eles não tocam desde 2002. Eu já me dava por satisfeito por ter visto ao lado de outras 10 pessoas apenas essa sequência que milhares de fãs se matam pra ouvir nos shows. Daí eis que Noel Gallagher inventa de pegar seu violão, sozinho, e manda uma música inédita. Nem o nome dela se sabe, mas está aqui devidamente registrada:

Como ali eu já tinha assistido um show de 60 minutos, o que viesse durante a noite, do “show oficial” digamos, seria lucro. Veio a Cachorro Grande. Pra mim uma ótima escolha para abrir a tour do Oasis. Não decepcionaram. Pelo contrário. Prenderam a atenção da galera e fizeram um show honesto. E fazer um show de abertura honesto significa muita coisa. Para dar um up na apresentação, convidaram Samuel Rosa, do Skank, e emendaram duas dos Beatles: “I Saw Her Standing There” e “Helter Skelter”.

Em seguida veio o Oasis, aguardado por 8 mil pessoas. Ingressos esgotados. Pelo que eu tenho acompanhado, o show do Rio foi um dos melhores da banda nos últimos anos, tecnicamente falando. Liam Gallagher, veja só, interagiu bastante com a galera, bem humorado, fazendo sinais carinhosos para as meninas, pegando bandeiras, essa coisa toda. Noel, mais recluso, não conversou tanto. Fez suas piadinhas de sempre, quando apresenta o baterista (Chris Sharrock) e o tecladista (Jay Darlington). Sobre o batera, Noel disse “desde quando pisamos neste palco pela primeira vez (1998) este é o nosso quarto baterista”. Já sobre o tecladista, que tem um visual bem chamativo, o Gallagher emendou “se você for à Copabacana, verá que Jesus não está lá, ele está aqui!”.
O grande momento do show talvez tenha sido ao final, durante a apresentação de “I Am The Walrus”. Atiraram uma bandeira do Brasil no Liam. Quando se joga alguma coisa no palco do Oasis, são diversas as possibilidades, especialmente “eles vão sair do palco”. Mas Liam, o simpático, pegou a bandeira verde amarela, a tremulou e…

Bom. Ponte não-aérea para São Paulo. Cheguei à capital paulista na sexta à noite. E o clima: calor! Aquele tempo esquisito de São Paulo. Céu feio, parece que vai desabar a qualquer hora. Mas lá estava eu atraindo um clima meio diferente. O show do Oasis rolaria no sábado. Então, ainda na sexta, fui pra uma baladinha nova, a Neu. Boa até.

No sábado, calor insuportável. Remeteu logo ao show do Oasis em 2006, quando o sol apareceu o dia inteiro e, a noite, no momento em que a banda começou a tocar, caiu um toró. Achei que teríamos ali o mesmo filme. Pelo fato do show ter sido num sábado, muita, mas muita gente resolveu ir pra fila do Anhembi mais cedo. A movimentação foi tanta que a organização do evento resolveu abrir os portões cerca de uma hora antes do previsto, para evitar confusão. E, diga-se, foi tudo muito bem organizado. Apesar das filas gigantes, não houve confusão alguma e todo mundo se encaminhou para a arena de forma tranquila.

Mas, por volta das 20h, eis que aparece ela, a chuva. De novo! Mas desta vez não no show do Oasis. Quem subia ao palco era a Cachorro Grande, que teve seu show prejudicado por problemas técnicos no som. Primeiro com a guitarra de Marcelo Gross. Foi preciso recorrer a um amplificador do Noel Gallagher para que o guitarrista da Cachorro pudesse mostrar seu som. Pouco tempo depois, houve uma pane parcial no sistema de som do palco. Mas a Cachorro, na raça, levou a apresentação até o final. A banda aproveitou para tocar “Dance”, som que estará no novo álbum do grupo, marcado para ser lançado ano que vem.

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A essa altura do campeonato, todos já imaginavam “Oasis com chuva outra vez, beleza”. Ambulantes lucravam com a venda de capas de chuva. Se durante a tarde elas custavam R$5,00 em média, pouco antes do show tinha gente investindo até R$15,00, R$20,00. Ótima oportunidade de negócio para o próximo show do Oasis em São Paulo, está avisado. Só que, contrariando 2006, foi só o Oasis pisar no palco que… a chuva parou! O show foi praticamente o mesmo do Rio, com exceção a um quase-incidente, quando um fã – em meio a outros 25 mil – jogou uma tampinha de garrafa de água mineral que acertou o Liam. O vocalista olhou, esboçou reação, mas jogou a tampinha pra cima. Noel não perdeu a piada e falou que, se continuassem a atirar coisas, sairiam do palco.

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Domingão, Dia das Mães, segui rumo à Campinas. Foi o pedaço mais corrido da turnê, pois o show seria menos de 24 horas depois do de São Paulo. Sem dizer que, em Curitiba, o local era um centro de convenções afastado do centro da cidade. Porém, Curitiba abraçou a causa e cerca de 15 mil pessoas compareceram à arena Expotrade para assistir ao Oasis. Na minha opinião, foi o melhor som da tour, fácil. Bem equalizado, todo mundo – seja na área VIP ou na pista comum – conseguiu ouvir a banda direitinho. Isso é sempre difícil. Shows outdoor sempre geram reclamações por parte de todos. O Noel Gallagher foi um que andou reclamando, dizendo que prefere tocar em estádios, porque tudo sai mais redondinho.

O interessante do show foi que, após a apresentação, fui convidado ao backstage da banda. Lá, bati um bom papo com o guitarrista Gem Archer e o baterista Chris Sharrock. Para quem não sabe, Chris se juntou à banda nesta turnê, a menos de um ano. Ele começou na banda The La’s e foi por muito tempo o baterista do Robbie Williams, eterno desafeto dos irmãos Gallagher. Digo “foi” porque o próprio cara garantiu que não volta mais a tocar com o cantor britânico. “Fucking no way”, palavras dele. Aliás, Chris é uma figura. É um grande e irreverente baterista. Muitos fãs do Oasis se surpreenderam com a presença de palco do cara. Na Inglaterra, os meios de comunicação às vezes o comparam (estilo) com Keith Moon, o melhor da história. Ele alia boa técnica e irreverência nesse estilo:

Ainda em Curitiba, na segunda-feira (11) pela manhã, meu vôo pra Porto Alegre, última parada da tour, era por volta de meio-dia. Daí a surpresa: o Oasis estava na sala de embarque ao lado (fora o Noel, que tinha ido mais cedo pra POA). Com câmera na mão, aproveitei pra ir lá registrar. Não é que no meio do caminho, alguém me chama pelo nome. Olho pro lado e era o… Gem, o guitarrista, que na noite anterior havia me brindado com uma Guinness. Poucos metros dali, o figura Liam, com camisa da seleção brasileira e tudo, tomando uma cerveja. O cara, que tem fama de chato, foi super sociável. Papeamos um tempinho ali, ele dizendo que havia adorado os shows e que quer voltar ao Brasil para passar férias. Quando perguntei sobre o Noel, ele foi enfático: “Não estamos brigando, mas também não estamos nos falando”, com cara de desapontamento. A treta mais recente deles surgiu a partir de uma entrevista de Noel para a revista Q, na qual o guitarrista diz que quer dar um tempo com a banda (ele frisou isso na entrevista para a Mari, você deve ter visto) para gravar um álbum solo. Isso sempre tira o Liam do sério. Mas pelo jeito, Noel para um lado, restante da banda para o outro.

Chegando em Porto Alegre (se você quer saber como estava o tempo na cidade que sempre faz frio… tava mais quente que o Rio), Liam e o restante do grupo foram direto para o bar do hotel. Por lá permaneceram durante toda a tarde de segunda-feira, conversando com alguns fãs que estavam hospedados lá, tal. Altas histórias. Do lado de fora, dezenas de outros fãs esperando uma foto, autógrafo que fosse. O Liam, versão gentil, apareceu umas quatro, cinco vezes, fez foto com todo mundo. Era a bebida fazendo efeito, talvez. Esse tipo de comportamento reserva altos momentos, como esse:

Na terça-feira, o show foi caos total. Coincidência ou não, Porto Alegre foi o único show que não teve a sempre polêmica área VIP. O público gaúcho se misturou a demais fãs do Sul do país e de outras localidades como Uruguai e Argentina. Acabou sendo o show mais animado e barulhento. O Oasis fechou com chave de ouro a tour pelo Brasil e, sabe-se lá quando, voltará. Ainda após o show, encontrei outra vez com o Liam e foi ali que surgiu uma conversa sobre sapatos. Liam é Converse People!

Se eu tiver que resumir toda essa semana em poucas palavras, digo o seguinte: vá atrás de sua banda preferida. Viajar ouvindo e vendo boa música é o melhor tipo de trip que pode existir. Jesus sempre abençoa!

Alisson Guimarães e Conversation Team