Antes de conseguir a grana pra dirigir seu primeiro filme, Quentin Tarantino vendeu o roteiro de dois road-movies, Amor à Queima Roupa e Assassinos por Natureza. Esse primeiro, True Romance no título original, é o mais bizarro e um dos seus melhores. O roteiro inicia com um vendedor duma loja de histórias em quadrinhos que começa a se relacionar com uma garota de programa que foi paga pelos amigos, como presente de aniversário (nada menos Tarantino do que isso, vai dizer?). Então ele mata o cafetão dela, herda uma mala cheia de cocaína e aí que começa a road trip: Detroit-Los Angeles num Mustang conversível pra vender a mercadoria.

Além do vento na cara, da poeira, das paradas em cabines telefônicas pro sexo, uma das marcas registradas do filme é a aparição de “Elvis Presley” como o alter-ego do personagem principal — sua espécie de conselheiro mental. Na estrada, muita trilha sonora com Aerosmith, Billy Idol e Chris Isaak. Outro aspecto é o enorme elenco de conhecidos, além do casal formado por Christian Slater e Patricia Arquette, temos Val Kilmer (como Elvis), Gary Oldman, Dennis Hopper, uma ponta de Brad Pitt (como um maconheiro doidão que sempre que aparece toca uma música do Soundgarden) e Christopher Walken. Esse, como um chefe da máfia interrogando o pai do personagem principal, uma das cenas mais fodas desse tipo no cinema.

Apesar de pouco conhecido no Brasil, Amor à Queima Roupa é um dos melhores roteiros de Tarantino. Com todos seus trademarks de matança, vingança, humor negro, diálogos incríveis e trilha sonora precisa. Além de tudo isso, carro estilêra, pé no acelerador e música alta. Precisa de mais alguma coisa pro mês do rock?