O inquieto Bruno Kurru

De São Paulo para o mundo, Bruno Kurru vem surpreendendo a todos com o seu enorme talento. Sempre inquieto e trabalhando fortemente com pintura, o artista de 27 anos vem inovando e aparecendo cada vez mais.

Como o próprio título já sinaliza, resolvemos bater um papo com ele para entender um pouco mais a sua arte e também apresentar o imaterial.net, projeto de Kurru com a sua esposa, Marília Coelho, que foi selecionado pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para a internet.

E para começar, vale rever esse vídeo abaixo que apresentamos em 2010 aqui. Foram dois dias de muita conversa e gravação. E segundo o próprio Bruno, o vídeo é um pequeno recorte disso:

Antes de mais, vale questionar sobre o seu uso constante de justaposições e colagens. Qual o significado disso para a sua arte?

É uma linguagem antiga, os cubistas fizeram bastante a colagem. Vejo ela como uma metáfora pra nossa forma de pensar e agir. No meu trabalho de pintura construo justaposições que criam a ilusão de ser colagem, porem é tudo pintura. Gosto desse tipo de artifício porque aumenta o tempo de permanência do espectador no trabalho. E ao mesmo tempo é um recurso pra agrupar diferentes assuntos em uma mesma situação.

Qual a sua ligação com o Graffiti?

Nenhuma. Gosto de alguns trabalhos, assim como gosto de alguns desenhos, performances, vídeos, etc. E na verdade, o graffiti é a que menos tenho ligação. Tenho pesquisado muito fotografia e poesia.

Desde quando você se vê como um artista e quando tudo isso começou?

Não sei se existe isso de “se ver como artista”. No meu ponto de vista a arte é uma força, uma energia, um lugar. É preciso coragem e sensibilidade  pra estar em contato com essa energia e morar nesse lugar. Acho que a uns oito anos tenho permanecido mais intensamente e constantemente nesse estado de consciência/ambiente.

Quem te influencia? Quais são as suas inspirações?

Os aspectos mais sutis e nobres da existência humana. Acredito que seja a minha maior inspiração e motivação. Minhas inspirações são pessoas que sinto que buscam estar em contato com esse estado de espírito. Essa busca. Posso citar Manoel de Barros, Jan Svankmajer e Paramadvaiti Swami, por exemplo.

E o seu novo projeto, o imaterial.net, o que ele quer transmitir?

É um trabalho construído com a Marília Coelho, minha esposa. O próprio nome já carrega vários significados intrínsecos e prefiro deixar o visitante chegar as suas próprias conclusões. São fragmentos de sensações, devaneios, conversas, sonhos. Construímos com o intuito de ser uma plataforma para esses nossos experimentos cotidianos e compartilhar isso com as pessoas.

 

E de onde surgiu a idéia de fazer este site totalmente inusitado, onde música, ilustrações, dança, muita criatividade e interação fazem parte do mesmo cenário?

A idéia veio da Marília. Ela trabalha com dança e performance, e nesse universo não é muito comum a exploração da web como suporte para os trabalhos. E a partir disso, ela me convidou para essa vivência: experimentarmos uma intersecção das linguagens de forma sincera e ver no que poderia dar.

E o skate, tem influência no seu trabalho?

Diretamente talvez não. Mas cresci ao lado de uma pista. Andei de skate minha adolescência toda e continuo andando (com menos intensidade). Quando comecei a andar, o skate ainda tinha um lado marginal e uma conotação de contracultura. Era uma forma de respirar outros ares, conhecer novos lugares e estar em contato com um universo (musica, arte, moda, etc) muito especifico.

Hoje em dia muita coisa mudou, mas o skate traz no seu D.N.A essa atmosfera que me inspira muito.

Tem muito skatista que faz poesia em cima do skate.

Qual a sua formação, Bruno?

Sou formado em Design Gráfico. Mas a minha formação é bem mais ampla. Desde vidas passadas, passando pela educação na infância, pesquisas informais, conversas, filmes, etc. Estamos em movimento olhando pra fora da janela.

Bruno Kurru – Arte para a alma

Bruno Kurru

A Converse percorreu o mundo atrás de jovens artistas que criam obras surpreendentes a partir do que chamam de “centelha da criatividade. Esta busca levou a marca até São Paulo, onde conheceram o trabalho do artista e designer gráfico Bruno Kurru. O artista paulista literalmente vive com sua arte. Seu trabalho é claro e brilhante, transferindo as formas e cores de seu mundo para lugares familiares deste mundo, sendo uma resposta ao ambiente em que é apresentado. Assistam ao vídeo e conheçam um pouco de Bruno e sua arte:

Bruno já teve seus trabalhos expostos em diversas galerias de São Paulo, além lugares como Buenos Aires, Londres e Los Angeles. Conheçam algumas obras dele no seu site e portfolio.

Bruno faz desenho e pintura para estar em contato com sua alma. E vocês, o que fazem?

Conversation Team