A vida subterrânea pode ser para muitos apenas uma alternativa como meio de transporte e só, nada mais. Mas, para o português António Jorge Gonçalves esse é um espaço rico em diversidades, sejam culturais ou até mesmo sociais, que servem de inspiração para o seu trabalho intitulado Subway Life.
Nele, o artista retrata os passageiros sentados nos vagões de metrô de 10 cidades (Lisboa, Atenas, Londres, Estocolmo, Berlim, Moscou, São Paulo, Nova Iorque, Tóquio e Cairo) ao redor do mundo. Ele fica em média três semanas em cada cidade fazendo cerca de 300 desenhos que procuram cobrir diferentes horas do dia e as diferentes linhas dos metrôs.
Londres
Nova Iorque
São Paulo
O artista luso busca ilustrar através dos seus desenhos os inúmeros personagens do cotidiano que de certa forma, acabam passando despercebidos por nós. A idéia deste trabalho é virar livro e uma exposição itinerante pelas cidades em que António Jorge Gonçalves pegou metrô com lápis e papel em mãos.
Berlim
Cairo
Estocolmo
Lisboa
Além de ilustrador, ele ainda é caricaturista, cenógrafo, designer gráfico e professor universitário em Lisboa. Ainda bem jovem, descobriu o seu talento para o desenho desenvolvendo um traço original em trabalhos realizados em fanzines e jornais portugueses.
Então, sempre fique de olho no passageiro ao lado, numa dessas você pode ser modelo de algum artista perdido nos metrôs da vida.
De São Paulo para o mundo, Bruno Kurru vem surpreendendo a todos com o seu enorme talento. Sempre inquieto e trabalhando fortemente com pintura, o artista de 27 anos vem inovando e aparecendo cada vez mais.
Como o próprio título já sinaliza, resolvemos bater um papo com ele para entender um pouco mais a sua arte e também apresentar o imaterial.net, projeto de Kurru com a sua esposa, Marília Coelho, que foi selecionado pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para a internet.
E para começar, vale rever esse vídeo abaixo que apresentamos em 2010 aqui. Foram dois dias de muita conversa e gravação. E segundo o próprio Bruno, o vídeo é um pequeno recorte disso:
Antes de mais, vale questionar sobre o seu uso constante de justaposições e colagens. Qual o significado disso para a sua arte?
É uma linguagem antiga, os cubistas fizeram bastante a colagem. Vejo ela como uma metáfora pra nossa forma de pensar e agir. No meu trabalho de pintura construo justaposições que criam a ilusão de ser colagem, porem é tudo pintura. Gosto desse tipo de artifício porque aumenta o tempo de permanência do espectador no trabalho. E ao mesmo tempo é um recurso pra agrupar diferentes assuntos em uma mesma situação.
Qual a sua ligação com o Graffiti?
Nenhuma. Gosto de alguns trabalhos, assim como gosto de alguns desenhos, performances, vídeos, etc. E na verdade, o graffiti é a que menos tenho ligação. Tenho pesquisado muito fotografia e poesia.
Desde quando você se vê como um artista e quando tudo isso começou?
Não sei se existe isso de “se ver como artista”. No meu ponto de vista a arte é uma força, uma energia, um lugar. É preciso coragem e sensibilidade pra estar em contato com essa energia e morar nesse lugar. Acho que a uns oito anos tenho permanecido mais intensamente e constantemente nesse estado de consciência/ambiente.
Quem te influencia? Quais são as suas inspirações?
Os aspectos mais sutis e nobres da existência humana. Acredito que seja a minha maior inspiração e motivação. Minhas inspirações são pessoas que sinto que buscam estar em contato com esse estado de espírito. Essa busca. Posso citar Manoel de Barros, Jan Svankmajer e Paramadvaiti Swami, por exemplo.
E o seu novo projeto, o imaterial.net, o que ele quer transmitir?
É um trabalho construído com a Marília Coelho, minha esposa. O próprio nome já carrega vários significados intrínsecos e prefiro deixar o visitante chegar as suas próprias conclusões. São fragmentos de sensações, devaneios, conversas, sonhos. Construímos com o intuito de ser uma plataforma para esses nossos experimentos cotidianos e compartilhar isso com as pessoas.
E de onde surgiu a idéia de fazer este site totalmente inusitado, onde música, ilustrações, dança, muita criatividade e interação fazem parte do mesmo cenário?
A idéia veio da Marília. Ela trabalha com dança e performance, e nesse universo não é muito comum a exploração da web como suporte para os trabalhos. E a partir disso, ela me convidou para essa vivência: experimentarmos uma intersecção das linguagens de forma sincera e ver no que poderia dar.
E o skate, tem influência no seu trabalho?
Diretamente talvez não. Mas cresci ao lado de uma pista. Andei de skate minha adolescência toda e continuo andando (com menos intensidade). Quando comecei a andar, o skate ainda tinha um lado marginal e uma conotação de contracultura. Era uma forma de respirar outros ares, conhecer novos lugares e estar em contato com um universo (musica, arte, moda, etc) muito especifico.
Hoje em dia muita coisa mudou, mas o skate traz no seu D.N.A essa atmosfera que me inspira muito.
Tem muito skatista que faz poesia em cima do skate.
Qual a sua formação, Bruno?
Sou formado em Design Gráfico. Mas a minha formação é bem mais ampla. Desde vidas passadas, passando pela educação na infância, pesquisas informais, conversas, filmes, etc. Estamos em movimento olhando pra fora da janela.