Soundtrack: I’m Not There
Postado em: 20.05.2011 | músicaNo próximo dia 24 de maio nada menos que o gênio Bob Dylan completa 70 anos e nossa comemoração já começa desde agora. Ícone da música, literatura, contracultura, cultura pop, política, de tanta coisa foda que pra contar a história dele no cinema precisaria de mais de um ator.
E não é que alguém pensou nisso? Em I’m Not There, filme de 2008, o roteiro passeia por todas as personalidades do Dylan, quase que literalmente, usando pra isso seis atores diferentes, que interpretam a cada uma dessas fases distintas do cara. O início mais folk, a fase cult de roqueiro, um cowboy totalmente solitário e até o período cristão, todos na pele dos famosos Heath Ledger (dois meses antes da sua morte), Christian Bale, Richard Gere, Cate Blanchett, e os mais desconhecidos Marcus Carl Franklin e Ben Whishaw.
Além dessa narrativa bem incomum, o filme induz você a interpretar os diferentes momentos do cantor. Nenhum dos personagens tem efetivamente o nome Bob Dylan, mas são representações bastante óbvias de suas mil personalidades. O maior destaque fica, claro, com Cate Blanchett. Não bastasse ser inusitado uma mulher fazendo o papel, a atriz dá um show vivendo a fase mais clássica de Dylan, entre 65 e 66, onde ele usava jaqueta de couro, óculos wayfare, andava de moto e trocou o folk pelo rock. Ela concorreu ao Oscar pelo personagem e é nessa parte da história que vemos aquele famoso episódio em que Bob Dylan teria mostrado cannabis a uma certa banda, os Beatles.
Dá pra acreditar que é a Cate?
Esse contexto da época também é sensacional, mostrando não apenas Dylan, mas ícones como Woodie Guthrie (seu grande mentor), Allen Ginsberg, Joan Baez e Andy Warhol, uma grande sacada do diretor Todd Haynes (que trabalha muito com música, é dele também o filme Velvet Goldmime, sobre a história do glam rock – fica a dica!). E na trilha sonora, a fina flor da discografia do Dylan, seja na versão original ou em versões bem interessantes de gente como Eddie Vedder, Sonic Youth, Mark Lanegan e muito mais.
Vale pelo filme, vale pela música, vale pela cultura pop. Vale por tudo, é Bob Dylan!





