Lollapalooza Brasil 2012: fila para todos os lados, público empolgado e shows inesquecíveis
Postado em: 12.04.2012A primeira edição brasileira do Lollapalooza teve shows fantásticos, vários deslizes da organização, muita gente maluca reunida e um saldo positivo no final. Problemas como a falta de transporte (o metrô não deu conta no sábado, a CPTM fechou no domingo e os táxis não deram as caras), as filas gigantescas e a péssima sinalização não abalaram os fãs de música, que compareceram em massa nos dois dias e cumpriram sua missão de pular e cantar junto nos shows do festival.
Os Foo Fighters, headliners do primeiro dia, fizeram um show que lavou a alma de muita gente. A banda abriu com a épica “All My Life” e foi descarregando hit após hit para uma plateia que, embalada, pulava e cantava sem parar. Entre muitos bons momentos, a banda resgatou “Generator”, sucesso que não vinha fazendo parte dos setlists e que foi muito comemorado pela plateia. O excesso de solos e improvisos prejudicou um pouco a fluidez do show, já que Dave Grohl e companhia insistiam em fazer instrumentais demorados enquanto a plateia, quente, queria cantar. Mas o show foi ótimo e ainda teve, como coroação, a participação de Joan Jett cantando “Bad Reputation” e “I Love Rock And Roll” no bis.
Joan Jett, inclusive, se apresentou antes dos Foo Fighters no outro palco, para um público bem menor – a maior parte dos presentes estava guardando lugar para os headliners do outro lado do Jockey Club. Quem decidiu ir prestigiar a diva, porém, não se decepcionou: com uma roupa vermelha brilhante, All-Star nos pés e o tradicional cabelo espetado, Joan revisitou sucessos de sua carreira solo, como “I Hate Myself For Loving You”, e das Runaways, como “Cherry Bomb”. Assistida por uma plateia majoritariamente feminina, Joan fez um show sem firulas e provou que, aos 53 anos, ainda é uma das frontwomans mais cativantes da atualidade.
“Cativante”, aliás, é uma palavra que descreve bem o show do Gogol Bordello no domingo. Sob o sol escaldante que fazia, Eugene Hütz convocou seu público para uma roda no meio da pista que fez subir uma enorme nuvem de poeira pelo Jockey Club. Rodando e celebrando ao som dos hinos punk-ciganos da banda, o público viveu um dos maiores momentos de comunhão do festival. O Gogol Bordello sabe comandar uma festa.
Voltando ao primeiro dia, o TV On The Radio fez um dos shows mais interessantes do festival. Não era um show elétrico como seria o dos Foo Fighters, nem celebratório como foi o do Gogol Bordello, mas era animado mesmo assim – o problema é que ficou a impressão de que ele seria melhor em um palco menor, como foi em 2006, quando a banda incendiou o Tom Brasil no Tim Festival. Os nova-iorquinos estão numa fase delicada: no ano passado, eles perderam seu baixista Gerard Smith, que morreu de câncer de pulmão, e a turnê atual pode ser a última. Para uma banda que tem tantos admiradores no Brasil, o show competente foi um adeus bastante digno.
Quem não pareceu agradar tanto foram os rapazes do MGMT no domingo. Com um disco sensacional na mala (o debute Oracular Spectacular, de 2007) e outro nem tanto (Congratulations, de 2010), a banda fez um show lento, moroso, sem vibe nenhuma. Tocaram os sucessos “Kids” e “Time To Pretend”, mas isso não foi suficiente para animar a plateia, que preferiu assistir aos espetaculares raios que se formavam no céu nubladíssimo do Jockey.
Felizmente, o toró que se anunciava não caiu e o público pôde ver o Foster The People sem grandes preocupações. O grupo de Mark Foster chegou afiadíssimo com os hits de seu álbum de estreia, Torches, e mandou um após o outro sem dó. A plateia delirava com músicas como “Call It What You Want” e “Don’t Stop (Color On The Walls)” enquanto Foster, um ídolo nato, aproveitava a vibração (e os gritos) para percorrer a plataforma erguida para o show dos Foo Fighters e atrair os milhares de olhares ao seu redor. No final, ele já estava quase pulando no público, tendo que ser segurado pelos seguranças pela calça. “Pumped Up Kicks”, um dos maiores sucessos de 2011, encerrou a apresentação, uma das mais vibrantes de todo o Lollapalooza.
O show do Foster deixou a plateia no pique para os headliners Arctic Monkeys, que encerraram as atrações no palco principal. Estiloso com sua jaqueta de couro e seu penteado imitando James Dean, Alex Turner comandou sua trupe de Sheffield frente uma plateia entorpecida que gritava e pulava a cada música, sem intervalos. Sucessos antigos, como “This House Is A Circus” e “Still Take You Home”, foram unidos a singles recentes, como “Brick by Brick” e “The Hellcat Spangled Sha-La-La”, e todos foram cantados a plenos pulmões. Mesmo com tantas cartas na manga, a banda entrou atrasada, saiu adiantada e não tocou algumas preferidas dos fãs como “Mardy Bum” e “A Certain Romance”. Mas o set econômico já era esperado: os Arctic Monkeys são assim mesmo, diretos e objetivos, sem firulas. O contrário do show dos Foo Fighters, quase. Quando “505” começou a soar, o coro de vozes no Jockey Club soou ainda mais forte. Era o final de uma das noites mais especiais do ano. Em 2013 tem mais!
Fotos: Divulgação Lollapalooza BR
Texto: Victor Bianchin, jornalista e colaborador do Move That Jukebox


















