Uma Lady em NYC

Hoje o nosso olhar aqui na seção Rabiscos vai para a dama da street art de Nova Iorque, Sandra Fabara, mais conhecida como Lady Pink. A mais de 30 anos essa artista, residente do Queens, vem transformando as ruas e metrôs da cidade em uma bela galeria de arte a céu aberto.

Coincidência ou não, a moça iniciou os seus trabalhos na mesma época em que o graffiti surgia nas ruas da cidade americana. Tanto é que ainda no seu primeiro ano pintando (1979), ela ganhou notoriedade por ser a única mulher capaz de competir no então universo masculino da arte de rua.

Menina prodígio, desde os seus 15 anos busca dar um tom de rosa em muros e metrôs de Nova Iorque. O lado feminino, então novidade, foi muito bem aceito, o que culminou na sua primeira exposição solo já aos 21 anos. Depois disso sua fama só aumentou, sendo que ficou ainda mais famosa por protagonizar o primeiro filme sobre a cultura hip hop, o “Wild Style”. Desde então é figura carimbada quando buscamos as raízes da pichação e do grafite.

Com um traço e estilo bem original, Lady Pink busca apresentar nos seus trabalhos a uma visão única e pessoal da vida. Os seus mais de 30 anos de carreira são divididos entre “saídas de campo”, workshops e palestras com jovens interessados em arte.

Agora vem a parte curiosa: Lady Pink começou a pintar após a perda de um namorado, que foi preso e deportado para Porto Rico. Ou seja, a moça exorcizou a sua dor pintando a cidade. Qualquer semelhança com os muros de onde você mora e é mera “coincidência”, ok?

Com vocês, Melissa Westphal

Nada mais justo aqui na coluna Converse People do que darmos voz aos nossos seguidores do Twitter. Foi por esse meio que acabamos conhecendo o trabalho da jovem artista gaúcha Melissa Westphal.

Com apenas 20 anos e morando no interior do Rio Grande do Sul, mais precisamente em São Lourenço do Sul, a guria anda produzindo muita coisa interessante. Sempre focada em ilustração, design e graffiti.

Melissa é estudante de Artes Visuais na Universidade Federal de Pelotas e ainda não se considera uma artista e/ou ilustradora. Mas com esse talento, deixamos a humildade dela de lado e aprovamos o seu potencial. Ou você tem dúvidas que os desenhos abaixo não são muito originais?

E como conhecemos a moça via Twitter, nada mais simples e justo do que batermos um papo com ela através de alguns tweets. Confira na íntegra essa nossa conversa abaixo:

Onde você busca inspiração?

Me inspira muito acompanhar outros artistas, tanto pela internet (Flickr, Twitter, etc) quanto pessoalmente.

Digo pessoalmente no sentido de conhecer artistas, ver ao vivo o trabalho deles e sair junto para desenhar etc.

O que a ilustração representa pra ti?

Atualmente eu vejo a ilustração como uma forma de expressão, onde não precisamos nos preocupar com a realidade do desenho.

Tem pessoas que associam ilustração com um “desenho para um cliente”. Não gosto de ver dessa forma, acho que ela é muito mais que isso!

Qual o principal objetivo das suas Interações (Intervenções) urbanas?

Principalmente mexer com o cotidiano das pessoas! Mudar, nem que seja por um segundo, a rotina delas.

E atingir as pessoas “normais” entende? Aquelas que tão indo pro trabalho/aula ou voltando para casa depois de um longo dia.

Vimos que você gosta de desenhar em Converse. Como, quando e onde surgiu essa idéia?

Ah, já faz uns 3 anos que surgiu isso! Eu tinha um converse branco e já pensava muito em dar uma cara diferente para ele!

Daí um dia eu encontrei na internet umas imagens de Converse pintado à mão. Criei coragem e fui lá pintar o meu!

Era um dia como hoje e resolvi ir lá pintar o tênis. No fim, o resultado deu super certo!

E o mais legal é que as pessoas começaram a ver o Converse e adoraram muito! Foi super aceito por todos. :D

Em 140 caracteres defina o seu trabalho.

Meu trabalho é algo sincero que faço com muito prazer. Tento ser otimista e esforçada para tudo se encaminhar e dar certo.

Como você se vê daqui a 5 anos? O que espera estar fazendo?

Olha, o que eu realmente espero daqui a 5 anos é conseguir me sustentar do meu trabalho, minha arte.

Não é uma questão de enriquecer com isso… mas conseguir continuar fazendo o que eu gosto!

Se você curtiu o trabalho da Melissa assim como nós, siga a jovem artista no Twitter e fique por dentro do que ela anda criando.

E se tiverem mais dicas de artistas bacanas, nos mandem via Twitter ou Facebook.

O que você esperaria de uma mulher linda e com um apelido delicado como esse? Pois é, a paulistana de quem estamos falando finaliza a sua parte sensível por aí. Descendente de mexicanos e criada no bairro do Morumbi, a artista leva para as ruas de São Paulo o seu traço forte inspirado na mitologia Maia e Asteca.

Mesmo formada em Artes Plásticas, o caminho e talento de Fefe Tavalera foi melhor desenvolvido nas ruas cinzas da capital paulista, onde teve a possibilidade de trabalhar com grandes nomes da cena atual, como Stephan Doischinoff e Carlos Dias, além de receber a admiração dos irmãos Os Gêmeos.

Mesmo o graffiti ainda sendo um ambiente muito masculino, a moça acabou ganhando respeito e visibilidade através do hábito de expor as suas obras no Flickr e Fotolog. Esta interação virtual com o público certamente serviu para fortalecer e consolidar o seu trabalho. Prova disso são as suas inúmeras exposições, tanto em solo brasileiro como pelo mundo afora.

Seu estilo, com forte influência mexicana, é facilmente identificado por meio de monstros sombrios que povoam o mistério, o lado sombrio, a raiva, o medo, os sonhos e desejos da artista.

Sua obras, além do graffiti e algumas publicidades, são realizadas normalmente em nanquim, colagens ou até mesmo em scratches (ranhuras sobre vidro pintado).

E você, já viu algum trabalho da Fefe Tavalera por aí? Se estiver por SP, fique ligado e passe na Galeria Choque Cultural para apreciar o trabalho da artista e de outros grandes nomes da cena atual.

Rabiscos: O Cranio de São Paulo

Os personagens mais antigos do nosso país são temas frequentes no trabalho do jovem grafiteiro Fabio de Oliveira, mais conhecido como Cranio.  Nascido em 1982 e pintando nas ruas de São Paulo desde 1998, o artista vem chamando a atenção pelo seu estilo original capaz de refletir os problemas do Brasil atual.

Ele busca levar para as ruas um pouco da nossa cultura e também uma crítica a sociedade consumista com um tipo de grafite-protesto. Seus desenhos, com traços inconfundíveis e detalhistas, estampam pontos estratégicos da capital paulista.

E como todo bom grafiteiro, o que move o artista é a atmosfera das ruas, a adrenalina de pintar, correr riscos, receber elogios e até mesmo críticas. Levar a arte mais democrática a população e sentir, talvez até entender, o impacto na vida destas mesmas pessoas. Isso tudo faz com que Cranio deseje nunca parar de pintar (fato que nós agradecemos muito).

Recentemente, o artista participou do projeto Sampa Graffiti, criado pelo diretor Paulo Taman. No documentário abaixo, durante a realização de um grafite, ele fala um pouco mais do seu trabalho e do sentimento de poder levar arte a todos:

Cranio não consegue imaginar a capital paulista sem as cores e a alegria da arte de rua. Para ele, São Paulo sem grafite não é São Paulo. Nós concordamos, e você, o que acha?