A primeira edição brasileira do Lollapalooza teve shows fantásticos, vários deslizes da organização, muita gente maluca reunida e um saldo positivo no final. Problemas como a falta de transporte (o metrô não deu conta no sábado, a CPTM fechou no domingo e os táxis não deram as caras), as filas gigantescas e a péssima sinalização não abalaram os fãs de música, que compareceram em massa nos dois dias e cumpriram sua missão de pular e cantar junto nos shows do festival.

Os Foo Fighters, headliners do primeiro dia, fizeram um show que lavou a alma de muita gente. A banda abriu com a épica “All My Life” e foi descarregando hit após hit para uma plateia que, embalada, pulava e cantava sem parar. Entre muitos bons momentos, a banda resgatou “Generator”, sucesso que não vinha fazendo parte dos setlists e que foi muito comemorado pela plateia. O excesso de solos e improvisos prejudicou um pouco a fluidez do show, já que Dave Grohl e companhia insistiam em fazer instrumentais demorados enquanto a plateia, quente, queria cantar. Mas o show foi ótimo e ainda teve, como coroação, a participação de Joan Jett cantando “Bad Reputation” e “I Love Rock And Roll” no bis.

Joan Jett, inclusive, se apresentou antes dos Foo Fighters no outro palco, para um público bem menor – a maior parte dos presentes estava guardando lugar para os headliners do outro lado do Jockey Club. Quem decidiu ir prestigiar a diva, porém, não se decepcionou: com uma roupa vermelha brilhante, All-Star nos pés e o tradicional cabelo espetado, Joan revisitou sucessos de sua carreira solo, como “I Hate Myself For Loving You”, e das Runaways, como “Cherry Bomb”. Assistida por uma plateia majoritariamente feminina, Joan fez um show sem firulas e provou que, aos 53 anos, ainda é uma das frontwomans mais cativantes da atualidade.

“Cativante”, aliás, é uma palavra que descreve bem o show do Gogol Bordello no domingo. Sob o sol escaldante que fazia, Eugene Hütz convocou seu público para uma roda no meio da pista que fez subir uma enorme nuvem de poeira pelo Jockey Club. Rodando e celebrando ao som dos hinos punk-ciganos da banda, o público viveu um dos maiores momentos de comunhão do festival. O Gogol Bordello sabe comandar uma festa.

Voltando ao primeiro dia, o TV On The Radio fez um dos shows mais interessantes do festival. Não era um show elétrico como seria o dos Foo Fighters, nem celebratório como foi o do Gogol Bordello, mas era animado mesmo assim – o problema é que ficou a impressão de que ele seria melhor em um palco menor, como foi em 2006, quando a banda incendiou o Tom Brasil no Tim Festival. Os nova-iorquinos estão numa fase delicada: no ano passado, eles perderam seu baixista Gerard Smith, que morreu de câncer de pulmão, e a turnê atual pode ser a última. Para uma banda que tem tantos admiradores no Brasil, o show competente foi um adeus bastante digno.

Quem não pareceu agradar tanto foram os rapazes do MGMT no domingo. Com um disco sensacional na mala (o debute Oracular Spectacular, de 2007) e outro nem tanto (Congratulations, de 2010), a banda fez um show lento, moroso, sem vibe nenhuma. Tocaram os sucessos “Kids” e “Time To Pretend”, mas isso não foi suficiente para animar a plateia, que preferiu assistir aos espetaculares raios que se formavam no céu nubladíssimo do Jockey.

Felizmente, o toró que se anunciava não caiu e o público pôde ver o Foster The People sem grandes preocupações. O grupo de Mark Foster chegou afiadíssimo com os hits de seu álbum de estreia, Torches, e mandou um após o outro sem dó. A plateia delirava com músicas como “Call It What You Want” e “Don’t Stop (Color On The Walls)” enquanto Foster, um ídolo nato, aproveitava a vibração (e os gritos) para percorrer a plataforma erguida para o show dos Foo Fighters e atrair os milhares de olhares ao seu redor. No final, ele já estava quase pulando no público, tendo que ser segurado pelos seguranças pela calça. “Pumped Up Kicks”, um dos maiores sucessos de 2011, encerrou a apresentação, uma das mais vibrantes de todo o Lollapalooza.

O show do Foster deixou a plateia no pique para os headliners Arctic Monkeys, que encerraram as atrações no palco principal. Estiloso com sua jaqueta de couro e seu penteado imitando James Dean, Alex Turner comandou sua trupe de Sheffield frente uma plateia entorpecida que gritava e pulava a cada música, sem intervalos. Sucessos antigos, como “This House Is A Circus” e “Still Take You Home”, foram unidos a singles recentes, como “Brick by Brick” e “The Hellcat Spangled Sha-La-La”, e todos foram cantados a plenos pulmões. Mesmo com tantas cartas na manga, a banda entrou atrasada, saiu adiantada e não tocou algumas preferidas dos fãs como “Mardy Bum” e “A Certain Romance”. Mas o set econômico já era esperado: os Arctic Monkeys são assim mesmo, diretos e objetivos, sem firulas. O contrário do show dos Foo Fighters, quase. Quando “505” começou a soar, o coro de vozes no Jockey Club soou ainda mais forte. Era o final de uma das noites mais especiais do ano. Em 2013 tem mais!

Fotos: Divulgação Lollapalooza BR
Texto: Victor Bianchin, jornalista e colaborador do Move That Jukebox

Soundtrack: The Runaways

Os melhores filmes sobre bandas são aqueles que além de contar a história da banda, também ambienta todo um cenário em volta. E nesse ponto The Runaways preenche todos os quesitos. Caso você seja um fã, vai ficar fascinado pelo envolvimento de Joan Jett e Cherie Currie, desde a formação da banda, o sucesso repentino, a queda pelas drogas e o fim. Tudo isso muito rápido, em não mais que dois anos entre o começo e a extinção.

Vale também pela história do rock, sendo a primeira banda de sucesso apenas com mulheres – ou adolescentes, já que elas tinham 17 e 18 anos. Até por essa idade, brilham muito como protagonistas as atrizes Dakota Fanning (a criancinha de Uma Lição de Amor) e Kristen Stewart (a estrela de Crepúsculo), quase irreconhecíveis no papel da dupla central das Runaways, inclusive tocando e cantando elas mesmas as músicas no filme.

Agora caso você não conheça muito a banda, além de ter contato com as precursoras do rock entre meninas, pode se deliciar com todo o contexto do glam-rock da época também, passando de tabela com muita história sobre Lou Reed, David Bowie, Iggy Pop e muito mais. Além disso, nada menos que 34 músicas aparecem no filme (mas apenas 14 fazem parte da trilha sonora). Aproveitando a futura passagem de Joan Jett no Brasil, no Lollapalooza, assistir a The Runaways torna-se ainda mais indispensável.

The Runaways Sountdtrack by VignoliLeandro on Grooveshark

Contagem regressiva pro Lollapalooza

Agora que falta menos de um mês, já dá pra fazer a contagem regressiva pro Lollapalooza, dias 7 e 8 de abril em São Paulo. Pela primeira vez no Brasil, um dos mais tradicionais festivais do mundo não deixou a desejar no line-up brasileiro.

Tem a muito esperada vinda do Foo Fighters de carro-chefe, mas há várias atrações que vale um bico. Como o próprio Jane’s Addiction, do organizador do evento Perry Farrel, a banda do verão Foster the People, a veterana “rainha do rock” Joan Jett, a brand new music do Cage The Elephant. Um pouco disso e muito mais você confere na nossa mixtape, daquelas pra começar a ouvir hoje e não parar até o dia do festival. Boa música, bons shows!

[Pra baixar o mp3 é só clicar aqui com o botão direito e dar um salvar como].

Contagem regressiva pro Lollapalooza! by Converse on Mixcloud

TRACKLIST

Jane’s Addiction – Stop!

Arctic Monkeys – Reckeless Serenade

Band of Horses – Is There a Ghost

Joan Jett – Bad Reputation

Peaches – Boys Wanna Be Her

Foster the People – Helena Beat

Friendly Fires – Paris

Foo Fighters – Time Like These

Cage the Elephant – Tiny Little Robots

Um Converse pra cada Rockstar

Hoje a gente resolveu fazer algo diferente: dar uma VIAJADONA na imaginação. E se cada modelo da nova coleção da Converse fosse inspirado em um rock star? E se cada estrela fosse escolher seu Converse preferido? Pra nós, esse seria um mundo bem lindo – porque, convenhamos, tem modelos que são A CARA de alguns rockers por aí, né não?

Por exemplo, o sempre presente aqui no blog James Dean. Ele não era músico, não tocava nenhum instrumento, não era frontman de banda alguma mas, mesmo assim, entrou pra história como ícone do rock – muito por ter sido símbolo da explosão deste estilo musical nos anos 50, e da rebeldia associada a ele. Dean influenciou os Ramones e até um Remix My Converse por aqui. E, é claro, o Jack Purcell é o Converse que tem a sua cara.

E, falando nos Ramones, sua rebeldia punk dos anos 70 também marcou a história da música – e também o estilo da época, com o estranhão Joey Ramone e sua trupe abusando das jaquetas de couro, dos jeans detonados e dos tênis gastos (sem falar naqueles cabelos esquisitíssimos, né). Tudo isso combina muito com um dos modelos da nova coleção: um Chuck Taylor clássico, mas em couro preto.

Nos anos 90, Billie Joe e sua turma também fizeram história no punk – mas uma história diferente, transformando-o em algo escrachado, engraçado. Se hoje o Green Day ficou meio emo e anda até mais quietinho, a gente prefere lembrar do auge da banda ;) Não seria A CARA desse Chuck Taylor rabiscado?

Na mesma década, um carinha loiro e descabelado de Seattle formou a banda que mudou completamente o rock. Kurt Cobain, é claro. Rockstar do movimento grunge, ele morreu cedo mas deixou um grande legado musical – e de camisas de flanela xadrez. Vai dizer que ele não tem tudo a ver com esse modelo que já parece até vir meio desgastado?

E por falar no Kurt, lembramos da mulher dele, a igualmente (ou pior) encrenqueira Courtney Love. Sua banda, o Hole, fez muito sucesso, mas Courtney marcou principalmente por ter aberto as portas para uma série de mocinhas loiras e malucas na música (deu pra lembrar de várias?). A gente acha que ela ia amar esse modelo de zebrinha – é irreverente, é animal print, mas não é a que todo mundo usa. Bem como ela.

E já que estamos falando de mulheres no rock, como esquecer de Joan Jett? Ela foi fundadora, na segunda metade dos anos 70, do The Runaways – sim, a banda que ganhou um filme no final do ano passado, com Kirsten Stewart fazendo justamente o papel de Joan. Nos anos 80, formou o The Blackhearts e lançou o hit “I love rock ‘n roll”, que todo mundo conhece, né? Roqueira clássica, Joan é a cara desse modelo slip on preto com tachas.

Também nos 1980, o Sonic Youth trilhava um outro caminho: junto de bandas como o Pixies, liderava os primeiros passos do chamado “rock alternativo”. Seu estilo musical mistura um monte de referências, e por isso eles são conhecidos por sua criatividade e suas experimentações melódicas. Na visual, porém, são bem básicos, e costumam usar Converse no palco mesmo. Tudo a ver com este modelo cinza e preto, da mesma linha do que Thurston Moore usa na foto abaixo.

Os ingleses do Oasis também fizeram história no rock e no chamado britpop, com seu universo “brit” bem presente inclusive nos looks, mais sóbrios e clássicos. Dos anos 90 até o final dos anos 2000, eles foram, sem dúvida, uma das maiores bandas do mundo – apesar das constantes brigas entre os irmão Liam e Noel Gallagher. A gente só espera que eles não briguem também por esse Converse, que tem a cara deles. ;)

Se o Oasis era 100% britânico, Karen O, do Yeah Yeah Yeahs é pura multiculturalidade. Com mãe coreana e pai polonês, ela nasceu na Coreia e se mudou para os EUA ainda criança. Sua banda é um dos bons exemplos da safra indie dos anos 2000, mas Karen é pessoalmente conhecida por seu estilo fashionista. No palco, ela usa figurinos incríveis, e seu corte de cabelo virou marca registrada, copiado por muita gente. Por apostar muito no design, ela tem tudo a ver com essa botinha Converse, de desenho incrível e detalhes interessantes.

E você, acha que tem mais modelos com a cara dos rockstars? Conta pra gente!