O Converse Shots de maio faz uma visita a São Paulo e mostra não só o lifestyle das baladas de lá, como também monta uma retrospectiva dos melhores shows que já rolaram na capital paulista entre 2010 e 2011. E, para nos mostrar tudo isso através de suas lentes, convidamos Camila Mazzini, fotógrafa, RP no Beco 203 e habitué dos gigs de rock que acontecem na cidade.
Ela já clicou os maiores shows do país, entre eles festivais como SWU e Natura e performances individuais como Kate Nash, Miike Snow, OK GO, Mark Ronson, Los Hermanos, Queens Of The Stone Age, Regina Spektor, Rage Against The Machine, Kings Of Leon, Yo La Tengo, Incubus, Pixies, Massive Attack, Air, Snow Patrol, Moby, Fatboy Slim, LCD Soundsystem, The National, e a lista nunca termina! Que baita currículo, né?
Mas melhor do que palavras, só mesmo imagens. Então deliciem-se com as fotos da garota, e depois nos contem o que acharam.
Passada toda a correria de um dos festivais mais aclamados (e reclamados) dos últimos tempos, nossos insiders Felipe Neves (@moraesneves) e Simone Bertuzzi (@simonebertuzzi) contam um pouco dos melhores e piores momentos do SWU.
Se o show do Los Hermanos foi no sábado para atrair a mulherada, Sublime, Regina Spektor, Joss Stone, Dave Matthews Band e Kings of Leon foram muito mais eficazes nesse aspecto. Muita gente bonita (ou, pelo menos, bem arrumada) marcou o dia do figurino camisa xadrez e calça justa, influenciado pelas roupas da sempre bem alinhada família Followill dos KOL.
A noite prometia ser gelada e sem chuva. Foi. Mas disso a organização não tem culpa. Nem mérito. Não vi nenhum show do Palco e Tenda Eletrônica. Sinais de desgaste e tempo me impediram. Mas os pontos altos, pelo que ouvi: Tulipa Ruiz e Otto.
Quando cheguei, Jota Quest tocava. Fui direto para sala de imprensa comer uns bolinhos de laranja. A internet estava horrível, mas o bolinho de laranja… Comi uns 8. Saí de lá para fotografar o Sublime with Rome. Rome é o novo vocalista, substituindo Nowell, morto por overdose em 1996. O cara tem 22 anos, tem um timbre de voz muito parecida a de Nowel e não decepcionou os fãs. Segurou legal e fez a alegria de todos. Bom show.
Achei bem bacana a ideia de existirem dois palcos principais. Os atrasos entre shows foram mínimos (em quase todas as vezes) e fez com que o público emendasse um show atrás do outro sem aquela espera chata de troca de equipamento que faz cair o pique.
Tive um sentimento de que as pessoas não entenderam muito quando a russa Regina Spektor entrou para tocar seu piano de calda, acompanhada por um duo de cordas e bateria num show intimista e sutil que talvez tivesse ficado melhor em um teatro que em um festival ao ar livre. Pelo menos, o público sabia cantar mais músicas. Mas vários não sabiam quem era. Amigos ouviram pessoas dizendo: “ela não era escritora? Achei que já tinha morrido…”, referindo-se à Clarice Lispector. Ri.
Em seguida, outra talentosíssima cantora, Joss Stone e sua enorme e rouca voz destilando um pop soul de primeira com uma banda igualmente de primeira. Linda, sorridente e super à vontade no palco, de pés descalços e vestido esvoaçante que, junto com o vento, ajudavam a contornar seu corpo, era só simpatia. Ia de um lado ao outro do grande palco sem parar. Uma semi diva. Ouvi de alguém que até as axilas dela são bonitas. Concordei.
Engraçado que a Dave Matthew’s Band foi a única banda no meio do line up que teve previstas quase duas horas de show. E nem era uma das atrações super top top, como QOTSA, RATM ou Pixies que tiveram, em media, 1h30min. Será que tem algo a ver com o fato da DMB ter gravado um comercial para o SWU, cedendo uma de suas músicas? Vai saber… Fato é que eles usaram todo o tempo que tinham para fazer o que provavelmente fazem em estúdio: jam. É uma super band com excelentes músicos. Arrisco dizer que alguns dos melhores do mundo não erudito, hoje. Mas com um problema: eles tocam pra eles mesmos. Não souberam fazer show para 60 mil pessoas. As músicas eram pura virtuose do rock/pop/blues , mas se estendiam por demais, cansando a maioria. Quando eles anunciaram bis, me decepcionei um pouco. Mesmo assim, tenho o sentimento que foi melhor que muitos dos show de início de tarde.
Com tudo e todos prontos para King of Leon, sobe ao palco um camarada (se alguém souber quem é, me diga) com um discurso reacionário, incitando o público e dizendo que eles estavam em guerra contra o consumismo, contra o abuso da natureza, contra a ganância. No mínimo, ironia de mal gosto para com quem gastou mais de R$ 600,00 por dia para poder ver sua banda de perto.
Depois disso, aí sim que o público não agüentava mais esperar para ver a banda da noite, Kings of Leon. Com várias restrições desnecessárias para a imprensa, KOL fez um show iluminado, literalmente. Existia um paredão de luzes amarelas atrás deles que bronzeariam qualquer um. Queria saber quantos watts estavam sendo consumidos naquela hora. A família de Nashville fez um show exato, na medida, sem errar, mas, de tão cuidadosos, não arriscaram quase nada e acabaram ficando no lugar comum.
Na saída, menos tumulto que na noite anterior. Agora viam-se equipes para ajudar, veículos e pessoas já não disputavam o mesmo espaço e tudo foi mais rápido. Cheguei em casa bem mais cedo.
Confira abaixo as fotos do que rolou no segundo dia do festival