Semana do Dia das Crianças bate uma certa nostalgia, aquele tempo em que a única preocupação era jogar bola, de preferência na chuva, num campinho embarrado.

Claro que hoje em dia a molecada prefere mais um celular do que a bola, laptop do que um álbum de figurinhas, mas isso não nos em nada deixa pra trás a saudade em ser criança. Até do Sandy & Junior cantando “Abre a porta Mariquinha” (é, talvez não!).

Bom, mas esse mundo high-tech tem vantagens, como ouvir um som direto no mp3 player, inclusive essa mixtape que a gente preparou hoje pra vocês. O clima é de volta no tempo, com algumas músicas feitas PARA crianças, outras feitas POR crianças e ainda de adultos bem felizes brincando de ser criança. Audição recomendável comendo bala de goma!

Pra baixar o mp3 é só clicar aqui com o botão direito e dar um salvar como

Remix my Converse #15: de volta à infância by Converse on Mixcloud

TRACKLIST

Penélope e Arnaldo Antunes – Superfantástico (Balão Mágico)

Los Hermanos – Hollywood (Os Trapalhões)

Pato Fu – Live and Let Die (Beatles com instrumentos de brinquedo!)

Nikki Greogoroff – All You Need is Love (Beatles no ukulele)

Rockybye Lullabies – Blitkrieg Bop (Ramones)

Jack Black & School of Rock – It’s a Long Way If You Wanna RnR (AC/DC)

Jackson 5 – ABC

Hanson – Mmmbop

Brand New Music: Cícero

Recentemente uma nova corrente da MPB vem ganhando cada vez mais força e abrindo mais o seu espaço graças a coletivos como Novos Paulistas e sua resposta do Sul, os “Novos Curitibanos”.

Diferente, porém, de nomes como Thiago Petit, Tulipa e Céu, encontra-se o carioca Cícero Lins, ex-integrante da falecida Alice, produtor da noite local e sujeito muito boa praça. Diferente porque Cícero parece não se limitar aos clichês da tal nova MPB, encontrando espaço também no Indie Rock para permear suas canções. Os fãs de Los Hermanos podem voltar a sorrir.

Nós trocamos uma ideia com o cara naquele rápido bate-papo em formato de redes sociais, dá uma olhada:

Status:Não vai ser em vão que fiz tantos planos de me enganar” (Tom Jobim – Sabiá)

Cícero em 140 caracteres: o Canções de Apartamento é um disco que compus e gravei no meu apartamento e na casa da minha mãe.


Por que curtir?

Ficaria feliz que todos ouvissem. Isso tem um porquê: Porque gostaria de ter a chance de ser ouvido.

O que o Cícero chamaria de MeuEspaço?

Um lugar onde eu pudesse ser eu, você pudesse ser você, João pudesse ser João.

Discos em que a compatibilidade é Altíssima, Muito alta e Alta.

Altíssima: Tom Jobim – Matita Perê e Pixies – Doolittle
Muito Alta: Mutantes – Mutantes (1969) e Nirvana – In Utero
Alta: Clube da Esquina – Clube da Esquina (1972) e Interpol – Turn On The Bright Lights

Um scrap final pro pessoal:

“É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”
(Drummond – A flor e a náusea)

Converse Shots: Camila Mazzini

O Converse Shots de maio faz uma visita a São Paulo e mostra não só o lifestyle das baladas de lá, como também monta uma retrospectiva dos melhores shows que já rolaram na capital paulista entre 2010 e 2011. E, para nos mostrar tudo isso através de suas lentes, convidamos Camila Mazzini, fotógrafa, RP no Beco 203 e habitué dos gigs de rock que acontecem na cidade.

Ela já clicou os maiores shows do país, entre eles festivais como SWU e Natura e performances individuais como Kate Nash, Miike Snow, OK GO, Mark Ronson, Los Hermanos, Queens Of The Stone Age, Regina Spektor, Rage Against The Machine, Kings Of Leon, Yo La Tengo, Incubus, Pixies, Massive Attack, Air, Snow Patrol, Moby, Fatboy Slim, LCD Soundsystem, The National, e a lista nunca termina! Que baita currículo, né?

Mas melhor do que palavras, só mesmo imagens. Então deliciem-se com as fotos da garota, e depois nos contem o que acharam.

Por dentro do SWU | DIA #1

Passada toda a correria de um dos festivais mais aclamados (e reclamados) dos últimos tempos, nossos insiders Felipe Neves (@moraesneves) e Simone Bertuzzi (@simonebertuzzi) contam um pouco dos melhores e piores momentos do SWU.

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DIA #1 – Sábado

Por Felipe Neves

Foi o primeiro festival de música desse porte e com essa proposta que o Brasil já teve. Ninguém sabia ao certo o que esperar – nem a organização do evento, pelo jeito. Depois de uma hora e meia de São Paulo a Itu, comecei a ver a movimentação da galera chegando. Bastante policiamento e placas de indicação para os diferentes tipos de estacionamentos e veículos. O número de gente ia aumentando a cada metro em que entrávamos na área da fazenda. Rolava um clima de ninguém-sabe-direito-como-vai-ser-esse-primeiro-dia, que foi refletido na hora da saída. Mais tarde falo disso. Depois que desviar de um mundaréu de gente – sim, porque eles colocaram veículos e pessoas para entrarem todos pelo mesmo lugar – estacionamos.

Recebi meu crachá de imprensa, mas não a pulseira que tinham nos falado. Na bilheteria, muita gente com suas coisas para acampar e sem saber direito pra onde ir.

SWU #1

Da entrada pra lá, não podia passar com bebida [nem água], comida, remédios e mais um monte de outras coisas. A justificativa para comida? Eduardo Fischer, o cara por trás da parada toda e “dono” do festival, disse o seguinte: se o camarada fizesse sua “coxinha” ou seu sanduíche antes de sair de casa, viajaria não sei quantas horas do seu estado até lá com ela na mochila, pegando calor, chegaria no festival, comeria aquilo fora de refrigeração e… já viu o estrago. Mas, e as bolachas em pacote fechado, que não estragam assim tão rápido? Pois é, nem elas, meu amigo… Quem sabe água em galão para economizar embalagem pet? Também não… Água lá custava de $4 a $7 a garrafinha, dependendo de onde se comprava.

Espalhadas pela área dos shows, várias tendas de patrocinadores e esculturas de arte com material reciclado, iniciativas bacanas, mas que tinham um clima de vitrine. Tinha uma tenda de “reciclagem” do lixo produzido pelos participantes. Na verdade, a tenda reunia todo o lixo reciclável, compactava em blocos e mandava para as usinas de reciclagem. Atitude bacana, mas esperada por qualquer evento assim, tendo a bandeira de sustentável ou não.

Falando em lixo, viam-se poucas lixeiras. Disseram que tinha mais de 2000 tonéis. Não vi e, pelo jeito, a turma toda também não. O que se via era muito lixo espalhado pelos gramados.

SWU #1

O sistema de alimentação era precário. Compravam-se os tickets num lugar e retirava-se a comida em outro. Depois de muito aperto e meia hora para andar 5 metros, descobri que os tickets tinham acabado (racionamento de papel?). Sim, amigo, não tinha mais ticket (!!). Alguns foram embora; a maioria ficou e começou a passar de inquieta pra violenta. Xingamentos à produção, tapas na grade, até que um sujeito subiu no teto, começou a pular e não deu outra: quebrou o teto e ele caiu lá dentro do guichê.

Lá embaixo o grosso da festa rolava. A produção acertou em colocar os palcos maiores num declive. Assim, a galera de trás podia ver alguma coisa, mesmo de longe. Cheguei em tempo para ver a enésima volta dos que não foram: Los Hermanos sempre ensaiando retornar em ocasiões oportuna$ (eles abriram pro Radiohead em São Paulo em 2009). Soube que eles foram escalados pra esse dia (Mars Volta, Infectious Groove, RATM) para trazer mais mulher. Show de bom nível com uma congregação de fiéis cantando em coro todas as letras. Mais uma vez, foi mágico, pra quem gosta. Não vi Mutantes, mas soube que não empolgaram. Pra muitos, eles estão dando soco em ponta de faca. Sem a Rita já não era Mutantes. Sem o Arnaldo então, aí é que não convence mesmo.

SWU #1

Estava me preparando para um dos dois shows que mais queria ver: os cabeludos crespos do Mars Volta. Não é uma banda exatamente fácil de ouvir. Tem momento e clima pra isso. Às 21h do dia 09/10 era um desses momentos. Fiquei surpreso de ver que não era só eu que pensava assim. Bastante gente estava enlouquecendo na pista comum. Qualquer coisa que eu fale será enviesada. Minha expectativa era grande. O show foi arrebatador e ver os caras mandando aquela psicodelia progressiva misturada com o peso de uma cozinha de estourar o pulmão e uma latinidade  nada linear foi algo como assistir Van Gogh pintando um quadro. Talvez nem tanto, mas sempre tive extrema curiosidade de ver a execução de seus discos malucos. Fui correspondido.

SWU #1

Nada melhor pra aquecer as válvulas da máquina para a raiva que viria na sequência. Rage Against the Machine subiu ao palco com tensão e muita atenção dos organizadores que esperavam o pior. Dias antes, Tom Morello tuitava incentivando as pessoas da pista comum a invadirem a pista Premium. Invadiram, mas o estrago nem chegou perto do que podia ter acontecido. Conversei com os seguranças do palco e eles me disseram que, se o pessoal quisesse invadir pra valer, não teria nada que eles pudessem fazer a não ser sair fora.

Zack, Tom, Brad e Tim, que deram os ingressos que tinham direito para o MST, fizeram o que tinha que ser feito em termos de show, pela primeira vez tocando no Brasil depois de terem acabado. Incendiaram uma platéia quase toda masculina, ensandecida, que pulava e se batia em diversas rodas punk. Foi espetacular. Um momento pra vida. Falando em MST, Tom Morello, dono de uma escola de riffs inventivos, tocou com o boné do movimento e falou sobre ele no palco. O show transmitido no Multishow foi interrompido perto dessa hora. Ele achou que o motivo foi seu discurso, mas tenho minhas dúvidas.

SWU #1

De alma lavada, fui para a saída. Lá fora, caos total. Pior que na chegada, carros, ônibus, vans, ambulâncias e um mar de gente suada dividia o brete pequeno espaço de saída.  Não havia ninguém auxiliando. Cada um por si e todos contra a falta de organização. Na hora, me lembrei de uma entrevista que Fischer deu ao Estadão garantindo que não haveria problemas de aglomeração porque era um lugar bastante aberto. Resultado da noite: quase duas horas para percorrer pouco mais de 3 km, ônibus transbordando, ambulância que não saía do lugar, janelas quebradas, pessoas passando mal, colisões entre carros, atrasos homéricos. Repito: caos.

SWU #1

SWU #1

Confira abaixo as fotos do que rolou no primeiro dia do festival