A vida subterrânea pode ser para muitos apenas uma alternativa como meio de transporte e só, nada mais. Mas, para o português António Jorge Gonçalves esse é um espaço rico em diversidades, sejam culturais ou até mesmo sociais, que servem de inspiração para o seu trabalho intitulado Subway Life.
Nele, o artista retrata os passageiros sentados nos vagões de metrô de 10 cidades (Lisboa, Atenas, Londres, Estocolmo, Berlim, Moscou, São Paulo, Nova Iorque, Tóquio e Cairo) ao redor do mundo. Ele fica em média três semanas em cada cidade fazendo cerca de 300 desenhos que procuram cobrir diferentes horas do dia e as diferentes linhas dos metrôs.
Londres
Nova Iorque
São Paulo
O artista luso busca ilustrar através dos seus desenhos os inúmeros personagens do cotidiano que de certa forma, acabam passando despercebidos por nós. A idéia deste trabalho é virar livro e uma exposição itinerante pelas cidades em que António Jorge Gonçalves pegou metrô com lápis e papel em mãos.
Berlim
Cairo
Estocolmo
Lisboa
Além de ilustrador, ele ainda é caricaturista, cenógrafo, designer gráfico e professor universitário em Lisboa. Ainda bem jovem, descobriu o seu talento para o desenho desenvolvendo um traço original em trabalhos realizados em fanzines e jornais portugueses.
Então, sempre fique de olho no passageiro ao lado, numa dessas você pode ser modelo de algum artista perdido nos metrôs da vida.
Todo o dia a gente dá de cara com um monte de gente escutando altas músicas nos seus fones de ouvido, seja no metrô, no busão ou até na academia. Mas você já parou pra pensar o que exatamente essas pessoas estão escutando? Há quem diga que muito se define da personalidade da pessoa pela sua playlist no iPod
O Metrophones é um projeto fotográfico que surgiu justamente pra acabar com essa nossa dúvida. A idéia é fazer fotos de pessoas que estejam com fones de ouvido e contar o que elas estavam ouvindo no momento que a foto foi tirada.
Pois aqui no Converse People nós queremos mostrar pessoas que colocam a mão na massa, criam algo de diferente, saem do lugar comum. É preciso muita atitude pra tirar um projeto do papel e executá-lo, né não? O Daniel Babalin e a Rebbeca Raia são pessoas que tiveram uma ideia genial e decidiram não esperar sentados pra que as coisas acontecessem, foram atrás e fizeram acontecer!
Ambos eram os nomes por trás do Metrophones, que teve início ano passado. Segundo Daniel o Metrophones surgiu logo após assistir um vídeo do Scott Schuman falando sobre seu projeto, o sensacional blog The Sartorialist. “Vi a paixão com a qual ele falava de seu trabalho e como ele começou a fotografar (mesmo sem ser fotógrafo) cenas cotidianas, sempre sob seu ponto de vista e de sua formação. Achei interessante e quis fazer algo semelhante. Foi então que eu tive a sacada de ter a música como foco e usar o metrô de São Paulo como pano de fundo, por ser um local onde transitam pessoas com os mais variados estilos e gostos musicais. Gosto de moda também, mas a música e principalmente a vontade de compartilhar e socializar através da música sempre foi algo presente em minha vida.”
Hoje em dia quem atualiza o blog é a Rebecca. Ela faz as entrevistas, tira as fotos e ainda mantém contato com pessoas pra eles entrarem como colaboradores. Os flashes rolam inicialmente em São Paulo, mas o pessoal quer levar o conceito pra diferentes cidades do mundo todo. O próprio conteúdo todo em inglês já é um bom sinal do que vem por aí!
“Acho que é uma curiosidade que muita gente tem, saber o que cada pessoa (entre as milhares que usam fones de ouvido) está escutando enquanto se locomove. Além disso, é interessante criar esse diálogo pois hoje em dia muitas pessoas colocam seus fones e se fecham em mundinhos particulares. Quero dar voz a essas pessoas, pois muitas vezes a música que estão escutando pode ter um significado especial e realmente acredito que a música deve ser algo que aproxime pessoas, que gere interação, conversas, curiosidade.”
Às vezes ter ideias é fácil, o difícil é colocá-las em prática. Quando perguntamos se Daniel teve alguma dificuldade ao longo do caminho, ele relata que o apoio da colega Rebecca ajudou bastante, quando a convidou pra ajudar com as fotos. “Desde o começo ela se empolgou bastante com a idéia, fundamos o tumblr juntos, e no dia seguinte já estávamos no metrô entrevistando as pessoas. As primeiras abordagens foram mais difíceis, tive de aprender a perder um pouco a vergonha, mas a vontade de ver o projeto vingar sempre foi maior.”
Agora, longe do Metrophones, Daniel planeja continuar o trabalho de uma forma um pouco diferente, não se restringindo apenas ao metrô. Além disso, pretende postar o outro lado da coisa: entrevistar músicos e artistas, e ver quais músicas servem de inspiração, promover artistas independentes, etc. Ele inclusive já está com o site novo quase pronto, é o orbiphones.com.
A Rebecca continua tocando o blog. Então pra quem quer ficar sintonizado no que os paulistas têm escutado no metrô, é só acessar metrophones.tumblr.com