Bateristas são os sujeitos mais por baixo dos holofotes numa banda. Ficam lá atrás de todo mundo, mal aparecem, e às vezes menosprezados (imagina quanto o Ringo Starr escutou que ele não estava à altura dos Beatles). Alguns deles, então, simplesmente resolveram jogar as baquetas para o ar, pegar o microfone, a guitarra, e assumir o controle de tudo. Quem são?
Nicke Anderson: o líder/vocalista/guitarrista do The Hellacopters era baterista de death-metal no Entombed. Nesse video, dá pra ver ele, inclusive, com o bonezinho que ficou característico na futura banda.
Lobão: ele teve uma relativa grande carreira com as baquetas na mão. Tocou no Vímana (extinta banda com Lulu Santos), e com artistas da MPB como Luiz Melodia e Marina, até formar a Blitz, com Evandro Mesquita. Confere nesse vídeo meio tosco e escuro, que aos 3:10 mais ou menos ele aparece claramente com o Vímana, ainda bem moleque.
Phil Collins: foi o baterista da fase rock-progressivo do Genesis, com a saída de Peter Gabriel ele assumiu o vocal e a batera ao mesmo tempo, na fase de maior sucesso do grupo. Foi um estopim pra sua multi-milionária carreira solo, recheada de hits que tocam no elevador.
Dave Grohl: talvez a mais conhecida das histórias, apesar de não ser um baterista oficial desde o fim do Nirvana, ele ainda “brinca” na batera, como no disco Songs of the Deaf do Queens of the Stone Age. É um dos melhores bateristas que não toca mais bateria da atualidade.
Joey Ramone: é isso mesmo, na formação original dos Ramones, Joey era quem ficava na bateria e Dee Dee os vocais. Os papéis foram trocados a pedido do empresário, no caso, o próprio novo baterista Tommy Ramone. Infelizmente não há registro em foto ou vídeo. Fica pra nossa imaginação.
Você já deve ter passado pela situação. Está ali no busão e logo aparece um sem noção ouvindo música no talo, sem fones de ouvidos, naquela equalização bagaceira que lembra um radinho de pilhas. Ou chega no apê, se atira no sofá, coloca a confortável pantufa, e do nada surge um som no volume que acordaria o prédio inteiro. Vai tirar uma sesta depois do almoço na casa da praia e o vizinho insiste em compartilhar o som do Opalão.
Quem nunca passou por isso, olha, é bem sortudo. Porque geralmente esses famigerados tem o pior gosto possível, NUNCA é algo que preste. Dito tudo isso, apresentamos nossa mixtape da semana, músicas barulhentas para hora da vingança. Distorções pra fazer sangrar as zoreia. Coloque no volume máximo e saia de casa. Pelo direito de irritar os malas.
O Converse Shots de maio faz uma visita a São Paulo e mostra não só o lifestyle das baladas de lá, como também monta uma retrospectiva dos melhores shows que já rolaram na capital paulista entre 2010 e 2011. E, para nos mostrar tudo isso através de suas lentes, convidamos Camila Mazzini, fotógrafa, RP no Beco 203 e habitué dos gigs de rock que acontecem na cidade.
Ela já clicou os maiores shows do país, entre eles festivais como SWU e Natura e performances individuais como Kate Nash, Miike Snow, OK GO, Mark Ronson, Los Hermanos, Queens Of The Stone Age, Regina Spektor, Rage Against The Machine, Kings Of Leon, Yo La Tengo, Incubus, Pixies, Massive Attack, Air, Snow Patrol, Moby, Fatboy Slim, LCD Soundsystem, The National, e a lista nunca termina! Que baita currículo, né?
Mas melhor do que palavras, só mesmo imagens. Então deliciem-se com as fotos da garota, e depois nos contem o que acharam.
Ninguém pode reclamar de 2010 quando se fala em shows (ainda mais internacionais). Teve de tudo quanto é tipo: veteranos ainda na ativa, bandas hypadas que vão ficar pra história e bandas que ninguém vai lembrar no ano que vem ou morrer de vergonha de um dia ter dado “like” no facebook.
Indo direto ao que interessa, pedimos ao Jojo, nosso colaborador e insider na maioria dos shows que rolaram por aqui, que fizesse sua lista dos melhores de 2010.
Miike Snow (Porto Alegre 23/09)
Por mais que eu possa usar quantos caracteres eu quiser, não vai adiantar. Quando tu está em um show pra poucas pessoas (não chegou a 500, será que chegou?) e tu sente que tem um clima absurdamente perfeito, não tem o que dizer. Quem tava no Beco (famosa casa de Porto Alegre) nessa data sabe do que eu estou falando. E quem não estava certamente deve ter algum amigo na capital gaúcha que foi nesse show. Pergunta pra ele, vai (pra ficar com UM POUQUINHO SÓ de inveja…)
Mika (São Paulo 20/11)
Talvez um dos frontmen mais carismáticos da sua geração, fez um show impecável em todos os sentidos. Uma produção perfeita, digna do perfeccionismo do cantor com as suas obras pop. Com certeza, esse show do Planeta Terra conquistou muita gente que trocava de estação quando rolava Mika no seu dial (e olha que até ver o show eu não gostava de Mika…)
Franz Ferdinand (Porto Alegre18/03)
Quem (como eu) leu reviews do show dos escoceses no Circo Voador (a long time ago) SEMPRE quis ver um show deles, e os gaúchos foram abençoados por assistirem o melhor show do quarteto na tour do Tonight! Apesar da pouca produção, o show foi impecável musicalmente falando. Kapranos e sua turma emplacaram hit atrás de hit, para a alegria da massa indie gaúcha.
Echo And The Bunnymen – (São Paulo 11/10)
Uma das 30 melhores bandas do mundo tocando um dos melhores álbuns da história da música na íntegra e acompanhados de uma orquestra, enfim, é muita coisa pra poucas linhas (o álbum em questão é o Ocean Rain. E enfim, melhores álbuns da história da música pode ser 5305153 álbuns, é bom explicar antes que né… )
Pavement (São Paulo 20/11)
Não importa se vai ou não vai ter revival dos anos 90 (eu acho que já começou, “de leve” mas já começou), o que importa é que o show do Pavement foi do jeito que tinha que ser, e demorou quase 20 anos pra eles tocarem no país e valeu a espera, só seria melhor se fosse em um lugar pequeno e com fãs menos chatos (me desculpem, mas essa coisa de renegar os hits é frescura, música boa é música boa e ponto)
Queens Of The Stone Age (Itu 11/11)
Nem é preciso comentar o fato de a data ser semi-cabalística, o importante é que depois do show no Rock In Rio e de a maior lembrança disso ser a polêmica de Nick Olivieri pelado, eles vieram e fizeram talvez um dos shows mais inesquecíveis desse ano, ou perfeito, eu diria (até porque quando se começa um show com “Feel Good Hit Of The Summer”… nem tem o que dizer.
Rage Against The Machine – (Itu 09/11)
A pergunta é “sera que esse show foi tão histórico quanto o(s) do Paul?”. A resposta é um tanto óbvia mas a pergunta é extremamente pertinente, porque o que foi esse show é algo que até agora não tem o que explicar. O fato de ter extrapolado a barreira de música e ter virado questão política só salienta a importância desse acontecimento único em forma de show.
The Mummies (São Paulo 18/11)
A maior banda de garagem dos anos 90 fazendo um show digno do melhor show do The Sonics (se se vestissem como múmias). Chuva na platéia de gelo mastigado pelo vocalista Trent Ruane e a saudosa (e só aparente) falta de pretensão, aquela coisa juvenil (mesmo não feita mais por pessoas tão “juvenis” assim). O coisa booa…
Paul McCartney (São Paulo, 22/11)
Não ter esse na lista seria a maior imbecilidade da face da terra. Ele usou o mesmo terno lilás que usou em Porto Alegre (acredito, a não ser que ele tenha uma coleção desses ternos) mas a diferença no repertório em começar com Magical Mystery Tour, ter incluído “Got To Get You Into My Life” e “Two Of Us” fizeram o show ser de “outro universo”.
Kleiton e Kledir (Porto Alegre 7/11)
Não, não teve show do Kleiton e Kledir abrindo pro Paul, mas vale a pena entrar aqui por toda confusão, movimentação, auê e o termo que quiserem usar. Primeiro, praticamente todo mundo reclamou que Kleiton e Kledir abriria o show do Maca, depois, assim que foi noticiado que não abririam mais, começou uma campanha de reclamações sobre o fato da dupla não abrir mais o show do ex-Beatle. Esse povo indeciso… (e quem não é um pouco também…)
E isso aí, e que venha 2011 com Vampire Weekend, Two Door Cinema, Amy Winehouse, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, U2, Muse, Motorhead, Metallica, Coldplay… e tudo mais que a gente tem direito.