Até que a morte os separe

Música e ilustração sempre foi uma boa mistura, agora imagine uma pitada de sarcasmo e memória juntos, que tal? Esse é o clima criado pelo ilustrador Paulo Rocker, de Brasília, onde por meio de uma série macabra de desenhos ele une músicos e esqueletos num universo único.

Através de cinco casais famosos que marcaram a história da música, o designer gráfico e também músico nos mostra um pouco dessa grande vertente identificada nos seus trabalhos, o clima tattoo e rock com forte influência do Punk Rock, Country e Rockabilly. Seus traços são muito originais e ao primeiro contato nos despertam identificação, ainda mais para quem gosta de música.

Sinistro, não? Nós curtimos!

Rabiscos: vivendo no metrô

A vida subterrânea pode ser para muitos apenas uma alternativa como meio de transporte e só, nada mais. Mas, para o português António Jorge Gonçalves esse é um espaço rico em diversidades, sejam culturais ou até mesmo sociais, que servem de inspiração para o seu trabalho intitulado Subway Life.

Nele, o artista retrata os passageiros sentados nos vagões de metrô de 10 cidades (Lisboa, Atenas, Londres, Estocolmo, Berlim, Moscou, São Paulo, Nova Iorque, Tóquio e Cairo) ao redor do mundo. Ele fica em média três semanas em cada cidade fazendo cerca de 300 desenhos que procuram cobrir diferentes horas do dia e as diferentes linhas dos metrôs.

Londres

Nova Iorque

São Paulo

O artista luso busca ilustrar através dos seus desenhos os inúmeros personagens do cotidiano que de certa forma, acabam passando despercebidos por nós. A idéia deste trabalho é virar livro e uma exposição itinerante pelas cidades em que António Jorge Gonçalves pegou metrô com lápis e papel em mãos.

Berlim

Cairo

Estocolmo

Lisboa

Além de ilustrador, ele ainda é caricaturista, cenógrafo, designer gráfico e professor universitário em Lisboa. Ainda bem jovem, descobriu o seu talento para o desenho desenvolvendo um traço original em trabalhos realizados em fanzines e jornais portugueses.

Então, sempre fique de olho no passageiro ao lado, numa dessas você pode ser modelo de algum artista perdido nos metrôs da vida.

O que você esperaria de uma mulher linda e com um apelido delicado como esse? Pois é, a paulistana de quem estamos falando finaliza a sua parte sensível por aí. Descendente de mexicanos e criada no bairro do Morumbi, a artista leva para as ruas de São Paulo o seu traço forte inspirado na mitologia Maia e Asteca.

Mesmo formada em Artes Plásticas, o caminho e talento de Fefe Tavalera foi melhor desenvolvido nas ruas cinzas da capital paulista, onde teve a possibilidade de trabalhar com grandes nomes da cena atual, como Stephan Doischinoff e Carlos Dias, além de receber a admiração dos irmãos Os Gêmeos.

Mesmo o graffiti ainda sendo um ambiente muito masculino, a moça acabou ganhando respeito e visibilidade através do hábito de expor as suas obras no Flickr e Fotolog. Esta interação virtual com o público certamente serviu para fortalecer e consolidar o seu trabalho. Prova disso são as suas inúmeras exposições, tanto em solo brasileiro como pelo mundo afora.

Seu estilo, com forte influência mexicana, é facilmente identificado por meio de monstros sombrios que povoam o mistério, o lado sombrio, a raiva, o medo, os sonhos e desejos da artista.

Sua obras, além do graffiti e algumas publicidades, são realizadas normalmente em nanquim, colagens ou até mesmo em scratches (ranhuras sobre vidro pintado).

E você, já viu algum trabalho da Fefe Tavalera por aí? Se estiver por SP, fique ligado e passe na Galeria Choque Cultural para apreciar o trabalho da artista e de outros grandes nomes da cena atual.

Rabiscos: O Cranio de São Paulo

Os personagens mais antigos do nosso país são temas frequentes no trabalho do jovem grafiteiro Fabio de Oliveira, mais conhecido como Cranio.  Nascido em 1982 e pintando nas ruas de São Paulo desde 1998, o artista vem chamando a atenção pelo seu estilo original capaz de refletir os problemas do Brasil atual.

Ele busca levar para as ruas um pouco da nossa cultura e também uma crítica a sociedade consumista com um tipo de grafite-protesto. Seus desenhos, com traços inconfundíveis e detalhistas, estampam pontos estratégicos da capital paulista.

E como todo bom grafiteiro, o que move o artista é a atmosfera das ruas, a adrenalina de pintar, correr riscos, receber elogios e até mesmo críticas. Levar a arte mais democrática a população e sentir, talvez até entender, o impacto na vida destas mesmas pessoas. Isso tudo faz com que Cranio deseje nunca parar de pintar (fato que nós agradecemos muito).

Recentemente, o artista participou do projeto Sampa Graffiti, criado pelo diretor Paulo Taman. No documentário abaixo, durante a realização de um grafite, ele fala um pouco mais do seu trabalho e do sentimento de poder levar arte a todos:

Cranio não consegue imaginar a capital paulista sem as cores e a alegria da arte de rua. Para ele, São Paulo sem grafite não é São Paulo. Nós concordamos, e você, o que acha?