O que você esperaria de uma mulher linda e com um apelido delicado como esse? Pois é, a paulistana de quem estamos falando finaliza a sua parte sensível por aí. Descendente de mexicanos e criada no bairro do Morumbi, a artista leva para as ruas de São Paulo o seu traço forte inspirado na mitologia Maia e Asteca.
Mesmo formada em Artes Plásticas, o caminho e talento de Fefe Tavalera foi melhor desenvolvido nas ruas cinzas da capital paulista, onde teve a possibilidade de trabalhar com grandes nomes da cena atual, como Stephan Doischinoff e Carlos Dias, além de receber a admiração dos irmãos Os Gêmeos.
Mesmo o graffiti ainda sendo um ambiente muito masculino, a moça acabou ganhando respeito e visibilidade através do hábito de expor as suas obras no Flickr e Fotolog. Esta interação virtual com o público certamente serviu para fortalecer e consolidar o seu trabalho. Prova disso são as suas inúmeras exposições, tanto em solo brasileiro como pelo mundo afora.
Seu estilo, com forte influência mexicana, é facilmente identificado por meio de monstros sombrios que povoam o mistério, o lado sombrio, a raiva, o medo, os sonhos e desejos da artista.
Sua obras, além do graffiti e algumas publicidades, são realizadas normalmente em nanquim, colagens ou até mesmo em scratches (ranhuras sobre vidro pintado).
E você, já viu algum trabalho da Fefe Tavalera por aí? Se estiver por SP, fique ligado e passe na Galeria Choque Cultural para apreciar o trabalho da artista e de outros grandes nomes da cena atual.
Os personagens mais antigos do nosso país são temas frequentes no trabalho do jovem grafiteiro Fabio de Oliveira, mais conhecido como Cranio. Nascido em 1982 e pintando nas ruas de São Paulo desde 1998, o artista vem chamando a atenção pelo seu estilo original capaz de refletir os problemas do Brasil atual.
Ele busca levar para as ruas um pouco da nossa cultura e também uma crítica a sociedade consumista com um tipo de grafite-protesto. Seus desenhos, com traços inconfundíveis e detalhistas, estampam pontos estratégicos da capital paulista.
E como todo bom grafiteiro, o que move o artista é a atmosfera das ruas, a adrenalina de pintar, correr riscos, receber elogios e até mesmo críticas. Levar a arte mais democrática a população e sentir, talvez até entender, o impacto na vida destas mesmas pessoas. Isso tudo faz com que Cranio deseje nunca parar de pintar (fato que nós agradecemos muito).
Recentemente, o artista participou do projeto Sampa Graffiti, criado pelo diretor Paulo Taman. No documentário abaixo, durante a realização de um grafite, ele fala um pouco mais do seu trabalho e do sentimento de poder levar arte a todos:
Cranio não consegue imaginar a capital paulista sem as cores e a alegria da arte de rua. Para ele, São Paulo sem grafite não é São Paulo. Nós concordamos, e você, o que acha?
Viver a rua e reconhecê-la como galeria de arte está cada vez mais certo, ainda mais em São Paulo, onde artistas usam e abusam dos muros e viadutos da cidade para fazer um dos graffitis mais respeitados e originais do mundo.
E uma prova viva dessa nova geração de grandes artistas é André Farkas a.k.a TRECO. Com apenas 26 anos, ele vem despontando no cenário paulistano e nacional com um trabalho que mistura técnicas e linguagens gráficas e que resultam num estilo no mínimo exótico e muito atrativo.
Fizemos contato com ele para entender um pouco mais do seu trabalho e a conversa na íntegra vocês podem conferir abaixo.
Você é formado em artes plásticas, certo? Como foi essa migração para as ruas?
A transição da instituição para o espaço público foi bem natural. Comecei lá na FAAP mesmo, a explorar os espaços comuns da faculdade, como cadeiras, mesas, paredes de corredores e coisas do gênero. Eu comecei a ver que a reação que a intervenção causava no ambiente era muito poderosa e positiva, mesmo que não gostassem do desenho. Era bom porque era diferente do mármore, destoava do shopping center que é aquela faculdade. Depois de um auto-aval moral, eu comecei timidamente a pintar na rua, perto de casa e a coisa foi crescendo.
O que você tenta transmitir com a sua arte?
Com as minhas pinturas eu tento transmitir boas vibrações. Procuro fazer com que o observador, ao ver uma pintura na rua, saia por um segundo da inércia e da hipnose da rotina. Como que refrescando o cérebro do bafo quente e contínuo da mesmice cotidiana. Quero criar uma pequena pane no cérebro do espectador, fazer com que ele veja algo que não entenda num mundo onde tudo é feito para ser entendido tão rapidamente. Gosto de pensar que crio imagens não digeridas, imagens que destoam da paisagem inóspita da cidade. Não que isso seja algo único meu, do TRECO, mas algo que é comum ao graffiti em geral. Resumindo o que eu quero transmitir é VIVA O ESPAÇO PÚBLICO, VIVA A RUA, VEJA A CIDADE, VIVA A CIDADE.
Já foi preso ou teve problemas com a lei?
Eu nunca fui preso, graças a deus. O que aconteceu foi que eu sofri as conseqüências burocráticas e legais de deliberadamente ignorar uma lei ignorante. Uma lei que ignora uma cultura e que está em descompasso com essa cultura. Uma lei que surgiu do medo. A sociedade civil já absorveu o graffiti, o mercado já absorveu o graffiti, a polícia já absorveu o graffiti. Quem não absorveu o graffiti é o cidadão que tem medo, que vive com medo, que vê uma pessoa no espaço público e disca 190.
A polícia não se importa, ela passa. Mas se for pressionada por esse cidadão ávido a usar seu celular ela é forçada a agir. Enquadro é rotina. Se você se expõe na rua, sabendo que existe gente e celulares na cidade, é certo que uma hora a polícia vai aparecer. Mas é por isso também que eu amo o Brasil. Conversa vai, conversa vem, tchau. A lei é inabalável, mas os agentes da lei não são. Se fosse nos E.U.A….
Na arte de rua, quem te inspira?
Na arte de rua eu me inspiro em muita gente. Dos brasileiros, acho bons à beça: Sinhá, Magrela, Zito, Sola, Nunca, Gemeos, Selon, Dedablio, Ethos, Medo, Nove, Thiago Alvin, Vitché, Whyp, Galo Surreal, N, Paulo Ito, Nois Crew, coxas, Caur, ISE, Finok, Calle, Jose, Onio, Lelo e muitos outros. Eu demorei muito para compreender o pixo e não digo que compreendo, porque a realidade e a intenção do pixo é muito diferente da minha. Mas respeito muito o pixo e acho que é um trabalho tipográfico muito preciso, com muita qualidade e muito ignorado.
Onde você vê uma cena de arte de rua forte além de São Paulo?
Eu sou ainda muito ignorante quanto a situação do graffiti em outras cidades brasileiras. Eu sei que no Rio de Janeiro tem uma cena forte e imagino que qualquer cidade grande tenha algo pra mostrar. Mas…. acho que nada se compara ao monstro que é São Paulo. Acho que a cena do graffiti em São Paulo é top no mundo, mostrando tanto as intervenções de cunho mais político e vândalo como o pixo, bomb, tags, etc. Como a dita Arte de Rua, mais aceita, mais comportada e mais “bonitinha”.
Planos para o futuro?
Pretendo continuar pintando por pintar, num descompromisso engajado. Crescer, crescer, mas com a cabeça tranqüila.
O negócio é ficar de olho aberto e aproveitar estes belos trabalhos expostos nas nossas ruas…
O conhecido artista-arquiteto gaúcho Mateus Grimm é prova viva de que o talento aparece cedo na vida de um artista. Dos seus desenhos em cadernos antigos ele partiu direto para as ruas cinzas de Porto Alegre, colorindo e enriquecendo um pouco o olhar dos transeuntes de plantão.
Absorvido pela cultura do hip hop, punk e skate, as suas obras aparentam um mundo único, uma espécie de paralelismo entre a realidade e a interpretação da vida, ou seja, o seu traço especial.
Mateus Grimm que já era famoso por suas customizações, intervenções urbanas e exposições; ficou ainda mais conhecido depois do convite para pintar os vagões do Trensurb em Porto Alegre. Para quem não sabe, esses trens já receberam nomes de peso da cena artística nacional, como por exemplo, a dupla OS GÊMEOS.
Além disso, ele é conhecido pelo uso de criaturas estranhas, originais e gigantes. Além de esculturas exóticas.
Curtiu? Bom, ele já participou de algumas ações da Converse e também fez alguns modelos exclusivos. Saca só: