Converse People: #projetofireworks

Quem ilustra a nossa tão querida Converse People esse mês é o povo do Projeto Fireworks, responsáveis por ter feito o primeiro grande led throwie brasileiro. Mas aí você se pergunta, wtf é isso? A gente explica!

Os throwies são mini luzinhas coloridas atiradas pra formarem intervenções urbanas em locais públicos, causando um efeito bem massa e divertido. A primeira função dessas rolou esse ano na Augusta, uma das ruas mais badalas de São Paulo.

O Mateus Bagatini, um dos nomes por trás da intervenção e participante do Coletivo Ovo, nos contou que na verdade a ideia de led throwie foi criada pelo Graffiti Research Lab: eles pensam, desenvolvem e recebem ideias de intervenções urbanas diferentes, sempre com experimentos. Então agrupam as ideias e convidam todos ao redor do mundo pra continuar com as ações.

Nós conhecemos a ideia há 2 anos e começamos importar os leds, imãs e baterias. Já que são pecinhas não muito baratas e que precisam ser muitas pra rolar aquele efeito. Montar eles foi demorado mas fizemos ao som de rock `n roll e regados a bebidas e amigos, o que deixou tudo bem mais divertido!

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Durante a ação na Augusta os cinco amigos conseguiram reunir muita gente que super se interessou em atirar os throwies contra a parede! “A galera pegava dos nossos, os que caíam no chão e até tiravam os colados pra jogar de novo”, conta Mateus. “O mais legal foi a ideia da quebra na rotina. Pra mim é o que mais me interessa nessas ações, a mesma rua, as mesmas pessoas, e de repente isso tudo“!
E pra quem curtiu, fica a dica: já tem coisa nova vindo por aí, ele disse pra ficarmos de olho no #projetohelio. Ficamos curiosos, conta mais Mateus?!

Rabiscos: O Cranio de São Paulo

Os personagens mais antigos do nosso país são temas frequentes no trabalho do jovem grafiteiro Fabio de Oliveira, mais conhecido como Cranio.  Nascido em 1982 e pintando nas ruas de São Paulo desde 1998, o artista vem chamando a atenção pelo seu estilo original capaz de refletir os problemas do Brasil atual.

Ele busca levar para as ruas um pouco da nossa cultura e também uma crítica a sociedade consumista com um tipo de grafite-protesto. Seus desenhos, com traços inconfundíveis e detalhistas, estampam pontos estratégicos da capital paulista.

E como todo bom grafiteiro, o que move o artista é a atmosfera das ruas, a adrenalina de pintar, correr riscos, receber elogios e até mesmo críticas. Levar a arte mais democrática a população e sentir, talvez até entender, o impacto na vida destas mesmas pessoas. Isso tudo faz com que Cranio deseje nunca parar de pintar (fato que nós agradecemos muito).

Recentemente, o artista participou do projeto Sampa Graffiti, criado pelo diretor Paulo Taman. No documentário abaixo, durante a realização de um grafite, ele fala um pouco mais do seu trabalho e do sentimento de poder levar arte a todos:

Cranio não consegue imaginar a capital paulista sem as cores e a alegria da arte de rua. Para ele, São Paulo sem grafite não é São Paulo. Nós concordamos, e você, o que acha?

Para quem não entendeu ainda, não estamos falando daquelas mulheres rudes, fortes e com uma pelugem um pouco maior do que o comum. O papo aqui é outro. No caso, a dupla paulista Mulheres Barbadas.

Julio Zukerman e Henrique Lima se conheceram nos caminhos da vida, ou melhor dizendo, nas dependências da área criativa de uma agência de publicidade em São Paulo.

Antigos diretores de arte, os ilustradores criativos pintam paredes, objetos e o que estiver pela frente num mix de confusão, caos e alegria. Seus desenhos permeiam o universo punk, o graffiti, o skate e também desenhos em quadrinhos. A inspiração vem de grandes nomes como Jeff Soto, Jim Woodring e Os Gêmeos.

O diferencial é que eles usam canetões pretos e um fundo branco para desenhar os seus monstros, naves espaciais e outras viagens.  Normalmente, os trabalhos são indoor. Já o fundo branco e a caneta preta têm um sentido único: as peças não são coloridas e desse jeito, o traço fica ainda mais visível.

O trabalho destes ilustradores simpáticos e bem-humorados vem recebendo ótimas críticas. Tanto é que grandes marcas já fizeram uso do trabalho artístico da dupla. Prova disso foi o “work in progress” feito num cavalo durante o São Paulo Fashion Week 2011.

Gostou? Então dê uma passada no site louco dos caras www.mulheresbarbadas.com

Rabiscos: Alex Hornest

Ele é pintor, escultor e artista multimídia. Natural de São Paulo e nascido na periferia, Alex Hornest A.K.A. Onesto vive e trabalha na capital paulista, a qual é a maior influenciadora do seu trabalho. Além disso, ainda é o curador da Cavalera Art Projects.

Prova do seu talento são as exposições realizadas no Museu da Imagem e do Som (MIS) e Museu de Arte Contemporânea (MAC), ambos em São Paulo, Museu do Trabalho em Porto Alegre, além da Carmichael Gallery, em Los Angeles e, Mina Gallery, em São Francisco.

A reflexão sobre o urbano é o foco da sua arte, fortemente inspirada na relação entre a cidade e seus moradores. E para mostrar esse trabalho de forma simples e bela, ele faz uso – além das latas de spray – de madeira, ferro, porcelana, entre outros.

Buscando entender um pouco mais a arte de Hornest, batemos um papo rápido e bem bacana com ele. Saca só:

Por que a diferenciação de Alex Hornest e Onesto?

Em galerias e museus sou Alex Hornest, nas ruas sou o Onesto.

Qual o seu estilo, o famoso faça você mesmo?

Nas ruas, graffiti em todas as suas variações: throw-ups, tags, peaces, wild-style, caracteres, pôsteres, etc. Nas galerias e museus: pintura, escultura e instalações.

Como você diferencia grafite de pichação?

Não vejo diferenças. Os dois possuem as mesmas intenções: marcar territórios deixando uma marca, símbolo ou desenho. Se há diferenças, a única que vejo é que uns são coloridos e outros não.

Como é transitar entre a rua e os museus?

Separo bem o que faço em cada espaço. Não costumo fazer o mesmo que faço nas ruas dentro de instituições. Às vezes só utilizo as técnicas.

E como é ser curador do CAP (Cavalera Art Projects)? Como surgiu esse convite?

Está sendo uma ótima oportunidade para apresentar artistas pouco conhecidos do grande público e vice-versa. O convite surgiu da paixão do Alberto Hair (Diretor criativo da Cavalera) pelas artes e do meu desejo de apresentar e proporcionar momentos distintos ao mundo das artes.

Além disso, sempre é bom saber o que te inpira. Artistas, passado, futuro, presente? O que te leva a fazer a sua arte? Qual o prazer, o que você sente?

A inspiração vem de tudo o que me cerca e em artistas contemporâneos que realizam obras para também serem apreciadas em lugares públicos e que em suas obras trabalham com o estado de espírito das pessoas ao contemplá-las como Richard Serra, Anish Kapor, Antony Gormley, Victor Brecheret, Andy Goldsworthy, entre muitos outros.

Quem é o artista que mais te influenciou?

Barry Mcgee.