Soundtrack: Grease

Muito antes de Glee fazer sucesso com versões e dancinhas da hora, Grease já fazia isso como o grande fenômeno de 1978 – no cinema e nas rádios. Como uma combinação de roteiro e coreografias, o musical foi quase como os primórdios do vídeoclipe, com músicas exclusivas do filme recheando determinadas cenas. Falando em recheio, saca os pés da galera nessa cena antes do basquetão.


A história é muitíssimo conhecida de quem nas férias vai pro litoral, arruma um parzinho romântico no verão e depois tem de se separar na volta pra cidade. Por aqui é o “amor de praia não sobe a serra”, uma adaptação da expressão gringa “summer love doesn’t last”, vivida em Grease pelos personagens de John Travolta e Olivia Newton-John.  Pra sentir a vibe do clima juvenil anos 60, com muita música interagindo com a história, saca essa passagem com “Summer Nights”.

Além do filme, que tem uma história bobinha, mas que já rolou com quase todo mundo, a trilha sonora de Grease rendeu um monte de sucessos. Na Inglaterra foi o disco nº1 por 3 meses, e nos EUA, durante todo “verão do amor” de 78.  Essa aí debaixo alcançou o topo nos dois países e inúmeras regravações pelo mundo, como a “Tô Ligado em Você” de Sandy & Junior.  Aliás, por mera coindicência, o casinho do Travolta no filme se chama Sandy. Grease não merecia essa!

Música que cura

Dos inúmeros filmes sobre aquele 11 de setembro, Reine Sobre Mim é um dos que pega mais fundo, principalmente pra quem curte música, como nós.

No roteiro, o personagem de Adam Sandler faz um cara traumatizado, que perdeu mulher e duas filhas no atentado. Ele passa a viver quase num mundo paralelo, sempre de fone de ouvido, faz da música o seu campo de fuga. Além disso, ele é um colecionador de vinis, rock clássico em geral – a curiosidade é que o ator é bastante conhecido justamente por curtir esse tipo de som. Não à toa, o nome do filme (Reign Over Me, em inglês) faz alusão à música “Love, Reign O’er Me” do The Who, gravada especialmente para trilha pelo Pearl Jam.

Ao longo do filme ele encontra um velho amigo, que é quem tenta fazer voltá-lo à vida real, sem escapismo. No diálogo entre os dois, no meio de todo dramalhão, surge uma dezena de citações à artistas e discos nem tão conhecidos, que valem uma pesquisada (como Bob Seger, Billy Joel e Graham Nash). Outra fixação do personagem é tocar na bateria a música “The River” do Bruce Springsteen.

Uma dose colossal de música, e para saber se ela vai te curar os devaneios do cara, só assistindo. Garantimos que vale cada minuto.

E depois curta o soundtrack inteirinho, aqui mesmo!

Soundtrack: Yellow Submarine

Pra aproveitar a passagem de Ringo Starr pelo país, nada melhor do que recordar a animação Yellow Submarine, baseado nas letras da música lançada no Revolver.

Numa onda total psicodélica,  a coisa de “infantil” tinha muito pouco, um devaneio misógino por vezes creditado como os “Beatles no país da maravilhas” ( uma alusão a Alice, claro). A história contava sobre Pepperland, um paraíso situado a oitenta mil léguas submarinas cercado de cor e música, que é invadido pelos Blue Meanies, que querem acabar com a música. Os Beatles embarcam no submarino amarelo com o intuito de salvar Pepperland.

Tipicamente um musical, como outros da época, o roteiro não é o mais importante, inclusive, sendo recheado de trocadilhos e piadas internas sobre os Beatles (uma coisa que apenas os mais fanáticos conseguem sacar). O grande barato é entrar nessa alucinação e ganhar de brinde um monte de músicas cantadas pelo quarteto ao longo da viagem, como When I’m Sixty-Four,  Only a Northern Song, Nowhere Man, entre outras.

A trilha sonora, aliás, traz um grande presente. Em vez de contar apenas com essas músicas conhecidas, das seis músicas dos Beatles, quatro foram feitas exclusivamente para o filme – apenas Yellow Submarine e All You Need is Love já haviam sido lançadas. A outra parte da trilha é composta com orquestrações de George Martin.

Na finalêra, os Beatles ainda aprecem em carne e osso imitando a Sgt. Pepper’s Band para devolver a música, a cor e a alegria a Pepperland. Clássico.

Soundtrack: School of Rock

Não há duvidas sobre School of Rock ser um dos filmes mais massa dos últimos anos. A história todos devem manjar, Jack Black assumindo na cara dura a vaga de professor numa escola de nerds e mauricinhos, botando a molecada pra socar o rock n’ roll. E o mais incrível é que o roteirista, Mike White na vida real, está mais pro nerd do que pro rockeiro na coisa toda.

A ideia veio por ele morar a poucas quadras do ator, um altamente conhecido fã de rock (e integrante da banda Tenacious D). Vários dos trechos do script foram praticamente criações de Black, como tocar o riff de “Iron Man” como parte das aulas ou os apelidos “carinhosos” dado por ele aos alunos.

Além da trilha sonora original, com boa parte das músicas do filme, outra parte do que aparece fica em entrelinhas, seja nas aulas, em pôsteres e camisetas que aparecem de relance e frases como ele “poderia ficar bêbado e cair de cara no chão, mas jamais esqueceria as suas baquetas”, se referindo ao baterista do The Who. Tudo de fato é uma verdadeira aula de rock até pra quem assiste. Um top 3 do ensino:

3) o professor Black distribui CDs para cada integrante da banda como lição de casa: um do Led pro baixista, Yes para o tecladista, do Rush pro baterista, Jimi Hendrix, é claro, pro guitarrista, um cd do Blondie para loirinha dos backing vocais. Clássico.

2) na prática, ele ensina os riffs básicos de  Iron Man, Smoke on the Water e Highway to Hell, pro guitarrista. Para o japinha dos teclados, faz ele tocar Touch Me, do Doors. Completa a lição botando a cozinha ao som de Smoke on the Water.

1) o personagem de Jack Black enche um quadro-negro com as mais variadas vertentes do rock, separando por heavy metal, hard rock, punk, grunge, rock psicodélico, glitter, southern rock, a “brit invasion”, pop rock, folk, soul, prog rock e o pai de todos, o blues.

Uma das trivias de School of Rock foi a inserção de Immigrant Song, do Led Zeppellin, na trilha sonora, porque raramente a banda libera músicas para fins comerciais. A solução foi encontrada num vídeo de Jack Black enviado aos aos integrantes do Led, em que ele implora pela liberação com todos figurantes gritando “Zepellin, Zepellin”. Confere aí, direto dos extras do DVD. Aproveite pra ver e rever quantas vezes puder.