Vai dizer, já estamos nos acostumando (e que bom isso) aos graffitis das grandes e até mesmo pequenas cidades brasileiras. A cada dia surge um novo artista, com um talento inovador e traços originais. Mas quando falamos em arte de rua, não podemos pensar apenas em desenhos idealizados através de uma lata de spray.
É bem provável que de alguma forma o trabalho do americano Mark Jenkins tenha chegado ao seu alcance. O artista gringo vem se destacando na cena internacional com as suas intervenções inusitadas em diferentes cidades do mundo, mas o que poucos sabem é que o seu primeiro trabalho foi realizado no Rio de Janeiro em 2003, época em que viveu na capital carioca.
Ele busca, ao mesmo tempo, ser perturbador, irreverente e polêmico. Suas obras são feitas de embalagens, fitas adesivas e bonecos que imitam pessoas normais. Ou seja, impossível não ser impactado e ficar indiferente a tudo isso.
Segundo o próprio Jenkins, o seu trabalho busca revitalizar as ruas, as quais ele considera como “cemitérios”.
Por onde anda, Mark Jenkins ministra workshops ensinando o seu processo de criação. Tudo isso também pode ser acessado em forma de tutorial no site tapesculture.org.
Curtiu? Então vale saber também que o artista era um professor de inglês nos seus tempos de RJ e que nas horas livres começou a fazer experiências nas ruas da cidade. O Resultado diz tudo! Mãos a obra e comece a fazer a sua própria arte também! Nunca é tarde!
Aqui pela coluna Converse People a ideia é sempre mostrarmos pessoas com a criatividade aguçada que estão tirando suas ideias do papel e colocando-as em prática! E hoje encontramos uma cidadezinha em Taiwan que reflete exatamente esse espírito.
Taichung é uma vila pequenina mas belíssima, e por lá tudo é pintado com cores über vibrantes, desde o asfalto até a maçaneta da porta. É realmente incrível, e quem já visitou conta que um sentimento de admiração e tranquilidade chega rapidinho quando você vagueia pelas ruas estreitas dessa pequenina cidade.
E o autor de tudo isso é Huang Yongfu, hoje com 90 anos. Há boatos que ele pintou a aldeia para mostrar a sua beleza original e evitar que ela fosse demolida por novos prédios que seriam construídos. É mole?
Agora, imagina morar num lugar assim?!
E você, ama a sua cidade? Então se inspire pelo trabalho do vôzinho Yongfu e faça algo bonito por ela! Isso é Converse People
Viver a rua e reconhecê-la como galeria de arte está cada vez mais certo, ainda mais em São Paulo, onde artistas usam e abusam dos muros e viadutos da cidade para fazer um dos graffitis mais respeitados e originais do mundo.
E uma prova viva dessa nova geração de grandes artistas é André Farkas a.k.a TRECO. Com apenas 26 anos, ele vem despontando no cenário paulistano e nacional com um trabalho que mistura técnicas e linguagens gráficas e que resultam num estilo no mínimo exótico e muito atrativo.
Fizemos contato com ele para entender um pouco mais do seu trabalho e a conversa na íntegra vocês podem conferir abaixo.
Você é formado em artes plásticas, certo? Como foi essa migração para as ruas?
A transição da instituição para o espaço público foi bem natural. Comecei lá na FAAP mesmo, a explorar os espaços comuns da faculdade, como cadeiras, mesas, paredes de corredores e coisas do gênero. Eu comecei a ver que a reação que a intervenção causava no ambiente era muito poderosa e positiva, mesmo que não gostassem do desenho. Era bom porque era diferente do mármore, destoava do shopping center que é aquela faculdade. Depois de um auto-aval moral, eu comecei timidamente a pintar na rua, perto de casa e a coisa foi crescendo.
O que você tenta transmitir com a sua arte?
Com as minhas pinturas eu tento transmitir boas vibrações. Procuro fazer com que o observador, ao ver uma pintura na rua, saia por um segundo da inércia e da hipnose da rotina. Como que refrescando o cérebro do bafo quente e contínuo da mesmice cotidiana. Quero criar uma pequena pane no cérebro do espectador, fazer com que ele veja algo que não entenda num mundo onde tudo é feito para ser entendido tão rapidamente. Gosto de pensar que crio imagens não digeridas, imagens que destoam da paisagem inóspita da cidade. Não que isso seja algo único meu, do TRECO, mas algo que é comum ao graffiti em geral. Resumindo o que eu quero transmitir é VIVA O ESPAÇO PÚBLICO, VIVA A RUA, VEJA A CIDADE, VIVA A CIDADE.
Já foi preso ou teve problemas com a lei?
Eu nunca fui preso, graças a deus. O que aconteceu foi que eu sofri as conseqüências burocráticas e legais de deliberadamente ignorar uma lei ignorante. Uma lei que ignora uma cultura e que está em descompasso com essa cultura. Uma lei que surgiu do medo. A sociedade civil já absorveu o graffiti, o mercado já absorveu o graffiti, a polícia já absorveu o graffiti. Quem não absorveu o graffiti é o cidadão que tem medo, que vive com medo, que vê uma pessoa no espaço público e disca 190.
A polícia não se importa, ela passa. Mas se for pressionada por esse cidadão ávido a usar seu celular ela é forçada a agir. Enquadro é rotina. Se você se expõe na rua, sabendo que existe gente e celulares na cidade, é certo que uma hora a polícia vai aparecer. Mas é por isso também que eu amo o Brasil. Conversa vai, conversa vem, tchau. A lei é inabalável, mas os agentes da lei não são. Se fosse nos E.U.A….
Na arte de rua, quem te inspira?
Na arte de rua eu me inspiro em muita gente. Dos brasileiros, acho bons à beça: Sinhá, Magrela, Zito, Sola, Nunca, Gemeos, Selon, Dedablio, Ethos, Medo, Nove, Thiago Alvin, Vitché, Whyp, Galo Surreal, N, Paulo Ito, Nois Crew, coxas, Caur, ISE, Finok, Calle, Jose, Onio, Lelo e muitos outros. Eu demorei muito para compreender o pixo e não digo que compreendo, porque a realidade e a intenção do pixo é muito diferente da minha. Mas respeito muito o pixo e acho que é um trabalho tipográfico muito preciso, com muita qualidade e muito ignorado.
Onde você vê uma cena de arte de rua forte além de São Paulo?
Eu sou ainda muito ignorante quanto a situação do graffiti em outras cidades brasileiras. Eu sei que no Rio de Janeiro tem uma cena forte e imagino que qualquer cidade grande tenha algo pra mostrar. Mas…. acho que nada se compara ao monstro que é São Paulo. Acho que a cena do graffiti em São Paulo é top no mundo, mostrando tanto as intervenções de cunho mais político e vândalo como o pixo, bomb, tags, etc. Como a dita Arte de Rua, mais aceita, mais comportada e mais “bonitinha”.
Planos para o futuro?
Pretendo continuar pintando por pintar, num descompromisso engajado. Crescer, crescer, mas com a cabeça tranqüila.
O negócio é ficar de olho aberto e aproveitar estes belos trabalhos expostos nas nossas ruas…
No mês passado lançamos a seção Hands On pra desmistificar aquele papo de que você não faz arte porque não tem talento. Queremos ver todo mundo colocando a mão na massa e criando modelos tão incríveis quanto esses que a gente mostra aqui no blog. Depois de conferir o trabalho do Trampo, esse mês vamos ver o que o Mateus Grimm fez com um Chuck Taylor branquinho.
Materiais:
01 copo de água
01 caneta Posca (para os detalhes ou assinatura, R$ 10,00 em média)
tinta para tecido (acrilex) existe todas as cores imagináveis (preço médio de R$ 1,50 a R$ 2,00 cada)
pincel fino ( R$ 2,00 em média)
Detalhe:
Para aplicar a tinta no tecido, importante colocar um pouco de tinta em uma paleta, pode ser um pedaço de madeira, azulejo ou papelão, molhar sempre o pincel na água antes de pegar a tinta, não fica bom aplicar a tinta direto do pote no tecido. Para começar vá testando devagarinho dentro da lingueta do seu Converse.
O Mateus Grimm usou desenhos abstratos com mistura de tons da mesma cor, o que pode ser bem fácil para quem está começando, primeiro inicie uma lateral de um dos tênis.
Depois de finalizar uma das laterais, deixe secar no sol, ou seque com secador de cabelo, e vá para a lateral do outro tênis, a tinta acrílica precisa secar antes de passar a segunda mão de tinta.
A idéia é sempre repetir o mesmo traço com o pincel na mesma direção.
Depois de encerrada a primeira mão de tinta nos dois tenis, começa a segunda mão, o tecido absorve muita tinta, por isso é importante iniciar a segunda mão depois de secar bem.
Por último, depois da segunda mão de tinta, vem os acabamentos, para quem não tem um traço firme, a caneta Posca é uma opção.