Converse Shots: Camila Mazzini

O Converse Shots de maio faz uma visita a São Paulo e mostra não só o lifestyle das baladas de lá, como também monta uma retrospectiva dos melhores shows que já rolaram na capital paulista entre 2010 e 2011. E, para nos mostrar tudo isso através de suas lentes, convidamos Camila Mazzini, fotógrafa, RP no Beco 203 e habitué dos gigs de rock que acontecem na cidade.

Ela já clicou os maiores shows do país, entre eles festivais como SWU e Natura e performances individuais como Kate Nash, Miike Snow, OK GO, Mark Ronson, Los Hermanos, Queens Of The Stone Age, Regina Spektor, Rage Against The Machine, Kings Of Leon, Yo La Tengo, Incubus, Pixies, Massive Attack, Air, Snow Patrol, Moby, Fatboy Slim, LCD Soundsystem, The National, e a lista nunca termina! Que baita currículo, né?

Mas melhor do que palavras, só mesmo imagens. Então deliciem-se com as fotos da garota, e depois nos contem o que acharam.

TIM Festival Vai Bem No Rio

Levando-se em conta todos os desvios de percurso que a 6ª edição do Tim Festival teve que encarar devido aos cancelamentos dos headliners The Gossip e Paul Weller, e após confirmada a expectativa de pouco público nos shows de São Paulo, onde o festival teve início na última terça-feira, podemos dizer que a versão carioca salvou o Tim de um saldo completamente negativo. Não que os shows do Rio também não tivessem sofrido com a redução de público em função das baixas no line-up do festival, mas é inegável que o Tim rendeu alguns bons momentos ao público que passou pela Marina da Glória no final de semana.

Converse People marcando presença na edição carioca do Tim Festival

Após o start classudo com a lenda do jazz Sonny Rollins na quinta-feira, o Tim in Rio tinha o rapper americano Kanye West como principal atração da noite de sexta, ao menos a julgar pelo valor do ingresso e pela enxurrada de elogios que vem recebendo mundo afora. Kanye tem seus méritos como produtor e parece ter agradado aos fãs com seu performático show-monólogo, ou quase monólogo, já que um dos pontos altos é quando ele contracena com seu amigo dinossauro-robô. O fato é que, se por um lado o rapper tenha atendido às expectativas dos que já são seus admiradores, quem foi até lá para confirmar a procedência das elogiosas críticas que West vem recebendo massivamente acabou saindo como entrou: desconfiado. Enquanto o rapaz finalizava a sua apresentação informando a todos que sua banda estava escondidinha lá atrás do telão o show inteiro (vai saber…), o palco Ponte Brooklyn já ressonava os primeiros acordes do denso, e intenso, show do The National. Tocando para um público que em sua grande maioria estava lá para entoar os hits do MGMT, que entraria logo em seguida, o National agradou geral e contabilizou alguns pontinhos para o já esfolado placar do Tim 2008. Ainda à sombra da corneta de suas apresentações não acompanharem a pegada do disco, e sendo “sorteados” com problemas de som em algumas músicas (todo um lado dos PA´s emudeceu na primeira parte do show), o MGMT, com a torcida a favor e talvez a melhor coleção de hits do último ano, acabou fazendo um show okay.

A apresentação dos nova-iorquinos também marcou pela primeira das diversas aparições daquele que se tornaria um dos personagens do festival, o figuraça Har Mar Superstar, trazido pelo Neon Neon (que tocaria no dia seguinte) e que acabou roubando a cena participando de vários shows. Quem saiu do MGMT embalado ainda pôde manter o dance no palco aberto onde o coletivo Instituto e seus convidados apresentavam um especial Tim Maia Racional, que apesar de já estar meio batido, caiu muito bem como fechamento da noite de sexta.


Kanye West, The National, MGMT e Instituto na noite de sexta no Rio.

Com tarefa semelhante a do National na noite anterior, o Neon Neon, projeto paralelo de Gruff Rhys, vocalista do Super Furry Animals, apresentou seu show inspirado na vida de John De Lorean, criador do DMC-12, lendário carro do filme “De volta para o futuro”, enquanto o público dos Klaxons ia chegando ao palco Novas Raves. Bem que as projeções retrô-futurísticas do telão estavam agregando valor à performance do Neon Neon, mas nada comparável ao momento em que ele, Har Mar Superstar, desta feita trajando um camisa da lendária boyband porto-riquenha Menudo, iniciou mais uma de suas impagáveis performances, dando uma incendiada no show que até ali apenas ia apenas cumprindo o protocolo. Por outro lado, se o MGMT havia fechado a noite anterior com uma apresentação no mínimo satisfatória, os Klaxons foram um tanto abaixo da expectativa geral. Fã-clubes a parte, o que se viu no encerramento do palco Novas Raves foi um show salvo do marasmo por alguns hits e sim, por ele novamente, o onipresente Har Mar Superstar e seu impagável kit pançinha-sexy/carequinha-com-mullets, que se juntou aos britânicos no encore final só de sunguinha listrada branca e rosa. Fenômeno!

No palco onde Paul Weller tocaria não tivesse um brasileiro na banda (!!!), acabou ficando tudo em casa com os shows de, na ordem, Roberta Sá, Marcelo Camelo, acompanhado pela ótima Hurtmold, e Arnaldo Antunes, com bela participação de Edgard Scandurra que, não é de hoje, acompanha Arnaldo em sua carreira solo.

Porém, o melhor ainda estava por rolar, e justamente no palco aberto a todos que circulavam pelo festival, o Tim Festa. Gogol Bordello foi definitivamente o grande show do Tim, sem precisar da ajudinha do Har Mar e surpreendendo muita gente que saía dos palcos Novas Raves e Bossa Mod. Apesar de boa parte do público nem desconfiar do que se tratava o combo multi-étnico comandado pelo sensacional Eugene Hütz, formou-se “O” baile na pista aberta da Marina da Glória para o contagiante set gypsy punk do grupo. Impossível ir embora! Até porque a programação do palco Tim Festa seguiu fazendo jus ao nome com o bom set do duo paulistano Database, seguido por Sany Pitbull, Junior Boys, Dan Deacon

Neon Neon, Klaxons, Gogol Bordello na noite de sábado no Rio.

Se você passou pelo Tim, contaí o que achou enquanto preparamos a primeira edição do Converse People, que vai contar uma história envolvendo rituais, belas cidades européias, cerveja barata, gente pelada, e é claro, Converse All Star. Até mais então!

Conversation Team