Wall to Wall @ Toronto

Tem sempre um lugar diferente pra gente transformar. Dessa vez, foi Toronto. Mais precisamente no bairro Parkdale, conhecido pela mistura de culturas, pessoas e arte. É lá que o nosso projeto Wall to Wall foi parar.

Nessa edição, o artista convidado para apertar a biqueira do spray foi Troy Lovegates. Ele começou a pintar as ruas de Toronto para livrar os prédios de pichações horrorosas dos anos 80. Nessa mesma época, Troy viajava muito de trem. Foi aí que percebeu uma nova oportunidade para o seu trabalho: esboços de retratos preto e branco com feições exageradas em grande escala.

Dando continuidade a esse trabalho nas linhas de trem de Toronto, Troy expõe sua arte em diversas galerias. Tóquio, Paris, São Francisco e Barcelona são algumas das cidades que já receberam suas mostras. Não é à toa que seu trabalho é bastante reconhecido internacionalmente. Só pra dar mais um exemplo: ele já projetou suas ilustras nos muros do Palácio do Parlamento Romeno, famoso por ser o maior edifício da Europa.

Esse muro em Parkdale ficou demais! Confere o trabalho do cara:

Rubber Tracks: METZ

O trio de Toronto, Metz, é uma das joias raras surgidas no ano passado. Filiados a lendária gravadora Sub Pop, os caras deram um respiro em tudo que diz respeito a barulho, música alta, enérgica, e de shows insanos.

As referências óbvias são Pixies, The Jesus Lizard e Shellac (de Steve Albini, o sempre comentado produtor do “In Utero”). E nada melhor que uma banda que sabe lidar com os instrumentos e pedais pra saber quais os equipamentos preferidos dos integrantes. Por isso foram escolhidos para o primeiro episódio de “Gear Talk”, respondendo algumas perguntas pra compartilhar em detalhes o arsenal usado por eles.

- Qual a parte do equipamento preferido de vocês?

Chris Slorach (vocalista/guitarrista): diria que meu amplificador Fender Twin Reverb, ele é realmente potente na hora do reverb e já uso há bastante tempo.

Alex Edkins (baixo): o meu baixo Gibson 78′ RD Artist.

E qual aquele que você quer comprar muito em breve?

Alex Edkins (baixo): um equalizador paramétrico (EQ), que é uma ferramenta de áudio que permite ajustar as frequências do som ao vivo.

Chris Slorach (vocalista/guitarrista): procuro por pedais de distorção, talvez Turbo Rats.

A vida como ela é

Se falarmos que no Canadá existe um homem que ao invés de escrever em seu diário/blog prefere fotografar a sua vida há 13 anos sem parar, seria surpreendente? Ficamos sem respostas. Entretanto, as 4748 fotos tiradas entre o primeiro dia do ano de 2009 até o último de 2011 nos mostram uma realidade totalmente diferente.

Entre altos e baixos, o canadense de Toronto Jeff Harris resolveu que em vez de fotografar uma vida mundana, as suas imagens iriam refletir situações e momentos interessantes. Foi aquela velha máxima mesmo: ele resolver sair e viver a vida. Do jeito que deu, é claro:

Mas, em 2008, Jeff Harris foi diagnosticado com câncer a partir de um pé fraturado após saltar de duas caixas de som (como se fosse um rock star mesmo). Sua perna esquerda sofreu paralisia permanente e o artista começou a sua luta, sempre retratando os altos e baixos da sua vida.

Durante o tratamento, o projeto artístico serviu como terapia. Quando estava perdendo o controle do corpo em função da doença, as imagens serviram para mostrar que ele ainda tinha forças e poderia controlar algo, nem que fosse a sua câmera.

E quando não podia fotografar, o primeiro que aparecesse (incluindo famosos) recebia um pedido impossível de ser negado: “por favor, você pode tirar uma foto minha?”. Quem consegue dizer não numa situação dessas?

A nossa dica é a seguinte: o site de Harris é atualizado uma vez por mês e, geralmente, na primeira semana as fotos dos 30 dias anteriores são postadas. Um detalhe: todas as imagens são registradas com máquinas analógicas. Já a dica do Harris é: “o registro fotográfico do dia-a-dia é um desafio de viver uma vida mais plena”.